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Sunday, 18 September 2016

Explosão de sabores e tradição no verde Minho

O dia era há muito aguardado, pois eram muitos os anos que já não rumava à (uma das) joia da coroa do Minho. Ponte de Lima, a mais tradicional e limpa vila do Minho, se não mesmo do todo o reino luso, à boleia deste boom turistíco reinventou-se. As ruas estão (ainda) mais cheias e os spots multiplicaram-se, porém ainda se vive e respira tradição que sempre a caracterizou. Vale a viagem.




Nome: Manel Padeiro
Data da visita: Agosto de 2016
Localização: centro de Ponte de Lima
Comentário: Ponte de Lima faz parte das minhas memórias de infância. Outrora sem os acessos por auto-estrada, a viagem era feita pelas sinuosas e movimentadas estradas nacionais. Os 30km ou algo do género que em linha recta separam a vila do mar, são suficientes para incrementar a temperatura  em meia de dúzia de graus. A ementa era invariavelmente e sem hesitação o prato-montra da terra: os rojões com arroz de sarabulho. Cheguei a experimentar uns quantos spots mas um havia que era merecedor da nossa maior atenção e dedicação, o Manel Padeiro, localizado bem no centro da zona velha, num beco da rua principal que vai dar ao rio. 
Para o leitor que não domine o prato e/ou a zona, atente que falar de sarrabulho em Ponte de Lima é como falar de francesinha na naçon ou de caracol na capital: se perguntar a 10 pessoas qual o melhor spot terá 10 diferentes respostas ... por isso, o melhor é ir e firmar a própria opinião. Para mim, o Manel Padeiro, é e será sempre o sítio de eleição para comer o sarrabulho à beira Lima, ... btw  o rio que banha a vila.
Atente o leitor/comensal que em períodos como fins de semana, e principalmente no verão, reserva é aconselhável. Os comensais/veraneantes são mais que muitos e facilmente as casas atinjem a sua lotação por volta do meio-dia. Bom sinal, pois não seria assim, se não valesse a pena, certo?
Sentados e instalados na esplanada sob a protecção de guarda-sol obrigatória, em dia de calor intenso, pedimos os rojões com sarrabulho. O staff simpático e com saber na arte de receber, ou não estivessemos no Minho, bem treinado na arte de despachar, no bom sentido da palavra, as hordas de comensais, em menos que nada nos presenteia com o muito esperado pitéu. Os rojões, em que não faltavam os nacos de porco, sangue e tripa enfarinhada, estavam divinais e a primeira dentada foi uma regresso aos meus tenros anos. Top! O arroz, bem feito, cozido no ponto com bom sabor ao sangue e especiarias. Diga as palavras que disser, dificilmente conseguirei descrever a explosão e sabores e sensações proporcionadas. A qualidade dos ingredientes pareceu ser irrepreensível e a dose de sarrabulho generosa q.b. para dois comensais de sustento. Houve ainda espaço para fazer um bis  de arroz, não porque fosse insuficiente mas por pura gula.
Para acompanhar o petisco, e de outra forma não poderia ser, uma caneca de 0.75cl de verde tinto de uva vinhão de Ponte de Lima. Digo e recomendo que deixe de lado as cartas de vinhos, respire o ar puro do Minho e opte pelo verde tinto da terra. Não é consensual, verdade, mas a simplicidade deste vinho é a melhor opção para lidar com a complexidade do prato. Aromático, com algum pico e acidez evidente, deu mostras que também se evoluiu nos verdes tintos. Longe os tempos dos vinhos carrascão, com acidez e adstrinjência suportável por muito poucos. 
 Chegado o momento de passar à sobremesa, concluimos que nao havia espaço para acomodar ... sarrabulho enche ... mesmo! Pena, pois ficou a por saciar a curiosidade sobre que iguarias nos proporcionariam. Fica para um repeteco.
A conta, essa ficou por um valor abaixo dos 20€/pax, que poderá subir ligeiramente com sobremesas, mas que mesmo assim é um valor mais do que razoável para a refeição em causa. 
Repeteco? Já me descaí acima, a dizer que sim. Claro que haverá repeteco!


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Sunday, 11 September 2016

Viagens na Madeira I

Quis o fado que este vosso narrador rumasse à Pérola do Atlântico, um dos redutos da exploração Lusa dos mares e dos perigos que encerravam. Se dúvida ainda existe, estou a referir-me à ilha da Madeira. E desengane-se quem acha que na Madeira é só espetada em pau de louro e restaurantes caros para turista inglês pagar para comer batata frita com maionese.






Nome: Casa da Palha
Data da vista: Agosto de 2016
Localização: São Jorge, Madeira. Por trás da Igreja de S. Jorge.
Comentários: a visita a este spot foi obra do acaso, pelo simples motivo que andava (desesperadamente) à procura de um posto de combustível. Alimentado o veículo, era hora de alimentar o condutor e seus ocupantes ... S. Jorge, é um complexo "urbano" de meia dúzia de ruas e ruelas pelo que 5min a calcorrear as ditas permitem fazer um "recon" (usando linguagem táctica militar) razoávelmente detalhado. Mesmo assim, encontrar a Casa da Palha não foi de todo fácil ... uma vez mais a sorte, que está sempre do lado dos justos e esfomeados, fez que com reparássemos numa placa mesmo junto à (lindissima já agora) Igreja de S. Jorge. Mão divina dirão os mais crentes.
O nome diz tudo ... o estabelecimento é composto por 2 ou 3 edificos, a lembrar cubatas, com tetos em palha, precisamente. No centro um pátio ou antes um adro, a servir de esplanada, onde só o clima tropical da Madeira permite usufrui de tal espaço praticamente todo o ano.
Sentados e instalados e já com os tablets e smartphones ligados a rede wifi da casa, ... haverei de um dia fazer um post todo ele dedicado à internet nos restaurantes, começamos a analisar a carta. Não era muito extensa e no dia havia dois ou três pratos de carne e outros tantos de peixe. O staff cordial e com um profissionalismo evidente indicou que a carne da noite e o frango à casa são especialidades da casa, palavras suficientes para que a escolha ficasse logo determinada.
Em tempo relativamente curto somos servidos e eis que se inicia um momento de registo na história da degustação gastronómica. A carne da noite, consiste em nacos de porco marinados durante toda a noite em vinha de alhos. A simplicidade do prato é assustadora, mais ainda tendo em conta o resultado final. A carne soculenta e tenra, cheia de sabor acompanhava com um arroz de forno simples, ervilhas cozidas e batata doce. KISS (Keep It Simple Stupid)! Um prato simples, mas extremamente bem feito, a lembrar comida da avó!
O frango seguia a mesma linha ... a carne era marinada, à semelhança do prato de porco e acompanhava com legumes cozidos e puré de batata, com um bom sabor a noz-moscada ... pelo menos parecia. Por momentos, senti que estava em casa a almoçar a um Domingo. Fantástico é dizer pouco! Uma prova que o simples consegue surpreender.
Para moer toda esta carne, foi chamado ao serviço um Grão Vasco, tinto de 2013, um clássico de entrada das terras de Dão. Perguntar-me-ão os mais atentos: oh Lambetacho, então aquela tua teoria de escolher sempre vinhos da casa e tal e coisa?! Bem visto. O problema é que os vinhos da Madeira são ESTUPIDAMENTE caros ... sim, se um clássico do Alentejo ou Douro, se arranja por 10€ a 15€ a 0.75cl, já os néctares da ilha não raramente os encontramos abaixo dos 20€ a 25€ a garrafa! Atenção, que isto não é um problema exclusivo da Casa da Palha ... é algo generalizado nas restaurantes da Madeira, que eu classifico como um erro estratégico crasso! Não deveria a restauração local, ser a primeira e a mais interessada em promover os vinhos locais? Porque irei eu pagar o dobro por um vinho de uma marca que nunca ouvi falar e ainda por cima de uma região muito atrás de outras com provas dadas? Esta é infelizmente, algo que observamos noutras regiões, como por exemplo o Algarve! Já repararam que os vinhos do Algarve, que raramente se vêem fora do Algarve, são bastante mais caros que os restantes? Faz sentido? Eu acho que não! À parte deste desabafo, devo dizer que o Grão Vasco, conseguiu comportar sem problemas a riqueza e complexidade de ambos os pratos.
Para fechar, avançamos para a sobremesa, que à semelhança da carta principal possui poucas referências. A escolha foi para uma tarde de côco. Fatia generosa, de fabrico caseiro, com boa consistência, fechou o repasto com chave de ouro.
A conta essa, ficou por um valor ligeiramente abaixo dos 15€/pax, um valor muito em conta para a qualidade da comida servida e do serviço providenciado. Nota muito positiva.
Repeteco? Se algum dia se proporcionar regressar aquelas paragens, com certeza que regressarei à Casa da Palha. Aos locais recomendo que se não conhecem, rumem ao norte da ilha. A quem lá vai de passagem, faça um esforço para que se proporcione uma passagem em S. Jorge e conheçam a Casa da Palha. Vale a pena!

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Sunday, 28 August 2016

Aqui sim, um verdadeiro spot improvável

A descoberta de spots em sítios improváveis pode proporcionar uma sensação comparável à de encontrar dinheiro na rua, em que evidentemente desconhecemos o dono e não há qualquer forma de encontrar a sua origem .... yada yada yada. Pois bem, este spot que vos trago, acredito ter entrada direta para o pódio dos improváveis e como concluírão no final deste texto, acumulará com o prémio de relação preço/qualidade. Rumemos até Taveiro, ás portas de Coimbra, a Cidade do Conhecimento. 



Nome: Restaurante do Mercado Abastecedor
Data da visita: Agosto de 2016
Localização: Mercado Abastecedor de Coimbra (MAC), Taveiro, Coimbra
Comentário: No mercado abastecedor? um restaurante? porreiro?!? estará o leitor/comensal a questionar se não haverá algum erro. É verdade! Aceito alguma dificuldade no reconhecimento, pois eu próprio sempre tive o (pre)conceito que neste tipo de espaços os estabelecimentos de restauração, serviam um perfil de comensal especifico, de pessoas em trabalho ou em passagem por motivos de trabalho que tipicamente optam por pratos básicos e rápidos. O Restaurante do Mercado Abastecedor, é um exemplo que há sempre uma execeção à regra. A primeira coisa que retemos é que os proprietários não perderam muito tempo a pensar no nome ... restaurante do mercado abastecedor ... no mercado abastecedor ...Outro aspecto a esclarecer, é que apesar do estabelecimento se encontrar dentro do perímetro do MAC está aberto ao público, e não tendo qualquer relação com uma das empresas a operar no seu interior, eventualmente terá de pagar o estacionamento. Nada mais.
A primeira coisa que o comensal vê ao acercar-se da casa é a banca de peixe com alguma diversidade de pescado, que por canais não oficiais, soube que é abastecida diariamente a partir da lota da Figueira da Foz. Mesmo ao lado, temos acesso visual à grelha, onde com mestria são tratados os bichos do mar que os comensais vão pedindo.
Sentados à mesa, e aqui atente o potencial visitante, que a casa enche cedo e rápido, vamos iniciando com umas simples entradas de pão e manteiga. De seguida, uma sopa de legumes em puré, em que a terrina é deixada na mesa para o comensal se servir da quantidade e vezes que quiser. Uma sopa cheia de sabor, que mesmo eu, um não grande fã comi e repeti.
Sem supresa, a carta é forte no peixe, pelo que foi para esses lados que o grupo se virou. Um robalo de bom porte (arrisco dizer perto de 1kg, cuja foto poderá confirmar) para cada dois, com a respetiva guarnição composta por batata assada e legumes cozidos. Servido escalado, de carne branca, a frescura do peixe evidenciou-se. Talvez por algum azar, o meu estaria talvez um pouco mal passado de mais, estando algumas partes um pouco cruas ... porém nada que inviabilizasse as notas positivas a atribuir à casa e ao seu produto.
A generosidade da dose é por demais evidente na foto que convosco partilho. Coube a um pequeno jarro do branco da casa, acompanhar o peixe. Não retive a origem do vinho, mas tinha frescura e bons aromas a fruta. Cumpriu na perfeição a tarefa que lhe estava destinada.
Apesar de saciado, houve ainda vontade de experiementar uma sobremesa da casa, uma tarte de queijada. Boa, sem deslumbrar, mas aparentemente caseira. Conseguiu fechar o fight com um toque a doce.
A conta foi (mais uma) agradável surpresa ... não chegou aos 10€/pax!! Comer peixe fresco em porções generosa, com sobremesa e vinho abaixo dos 10€/pax é obra!
Repeteco? Felizmente, por diversos motivos serei obrigado. Yes!

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Saturday, 27 August 2016

Mais uma dica para o outro lado do rio

Encontrará o leitor, neste repositório de útil informação no que aos assuntos do tacho diz respeito, várias  peças foto-jornalísticas de elevada qualidade e grande valor informativo, da margem sul (leste). O spot que hoje visitamos e analisamos, é uma casa feita com créditos firmados ... vamos lá.






Nome: Girassol
Data da visita: Junho de 2016
Localização: Sarilhos Grandes, Montijo
Comentário: a vista ao Girassol ocorreu porque nesse preciso dia de semana era o descanso semanal da Casa das Enguias, um dos, se não O grande monumento à gastronomia da zona do Montijo. A casa localiza-se à face da N11, com estacionamento privativo e fácil. O aspeto exterior não faz prever a opção estética para a decoração interior, com candelabros no tecto e mobiliário escuro e com aspeto designed in Paços de Ferreira, que confere um ar semi-formal, indicado para almoços de trabalho menos ligeiros.
Imediatamente são servidas, por um staff que podemos considerar atencioso e afável, entradas compostas por salada de polvo, salada de pimentos e o habitual pão com manteiga. Estava bom sem deslumbrar ... nada mais.
A carta sem supresa, é composta por comida tradicional portuguesa, com alguma diversidade tanto de carne como em peixe. Porém, a escolha acabou por recair numa das especialidades, o rabo de boi! Sim ouviu bem. Nacos da dita peça, guisados num molho grosso e intenso, um festim para os adeptos do "chuchar" os ossos.  Pedimos também nacos de bochecha de porco, cozinhados de forma idêntica ao rabo de boi, ou seja guisado. Carne de qualidade e saborosa. Acompanhava com batatas fritas caseiras e esparregado. Estava tudo saboroso e com evidente cuidado na sua confecção, porém achei as doses pouco generosas. Aliás, pouco generosas é por si ser generoso ... achei as dose claramente insuficientes. Mesmo numa relação 1 dose = 1 comensal a coisa pode ficar curta, para os de mais alimento.
A carta dos vinhos, em alinhamento com o look and feel da casa é composta pelas grandes referências das mais diversas regiões do nosso país. Para este fight ficou a cargo de uma Quinta De La Rosa tinto, a tarefa de maridar com os fortes sabores da carne guisada. Sem supresa, este clássico do Douro atingiu o objetivo.
Por motivo de gestão de tempo, não houve possibilidade de avançar sobre a carta das sobremesas, o que deixa o fight a modos que incompleto, reconheço.
O valor de um fight no Girassol fica na casa dos 20€ a 25€/pax, o que não sendo um valor propriamente baixo, não está desenquadrado do espaço e serviço.
Repeteco? Honestamente, só vou ao Girassol quando a Casa das Enguias está indisponível ... porque considero as Enguias superior não só na comida como na generosidade das doses e no carisma do proprio espaço. Portanto, voltarei mas apenas se!   

Girassol Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Wednesday, 24 August 2016

Tapas e petiscos num sítio improvável

A localização do spot que vos trago hoje para análise é para mim sítio de passagem frequente e longe de ser considerado uma Meca da gastronomia. Desta, vamos até Nogueira da Maia, arredor da Maia, suburbio da grande nação Azul e Branca. 






Nome: D. Pernil
Data da visita: Julho de 2016
Localização: Nogueira da Maia
Comentário: a casa pouco tempo de vida tem e desde então tenho guardado uma vontade de a visitar. Por motivos de logística pessoal/familar eis que surgiu a tal oportunidade há tanto esperada. Honestamente, não sabia bem o que esperar ... até então, apenas tinha ouvido opiniões avulso, porém todas positivas, que no D. Pernil se podia degustar uns petiscos de cozinha tradicional portuguesa. Apesar do fight ter ocorrido em plena época de férias numa zona que tipicamente esvazia no período, a casa estava completamente cheia, o que à partida confirmava as notas positivas. A decoração interior é simples e despretensiosa e exposta numa das paredes um quadro de ardósia com toda a ementa disponível, elaborada à base de petiscos da nossa boa cozinha. A minha escolha para o fight foi basicamente feita à vista do que ia indo para as mesas:
- papas de sarrabulho
- sandes de pernil com queijo da serra, a especialidade da casa
As papas estavam fantásticas, com bom sabor a cominhos, exatamente como eu gosto. Nada de negativo a apontar. Sem ficar atrás a sandes estava também fantástica, feita com pão fresquinho, aparentemente acabado de fazer, carne tenra e saborosa bem envolta no queijo, na quantidade certa de forma ao forte sabor não anular os restantes aromas da iguaria. Coube ao tinto da casa, servido a copo, acomodar os fortes sabores das papas e da sandes, tarefa que cumpriu com facilidade. Não tive oportunidade de indagar a origem do néctar.
Apesar do pouco espaço disponível deixado pelas papas e pela sandes, houve vontade  de provar a sobremesa do dia, bolo de chocolate. Com uma cobertura tipo brigadeiro, massa fofa e húmida, estava um pouco doce de mais, porém cumpriu a honrosa tarefa de fechar o fight.
Com um peso enorme na consciência, pela abuso nutricional que tinha acabado de praticar, pedi a contar que rondou os 8€/pax, um valor justo pela refeição que proporcionou.
Não queria terminar sem mencionar, o staff que é atencioso e simpático e o serviço que peca por ser um pouco lento, que em momentos de maior pressa pode causar algum stress.
Repeteco? Pela natureza da carta, a não ser que seja imune ao colesterol e/ou hipertensão, não é um spot que possa ser visitado diariamente. Porém, é um sítio de excelência para apreciar petiscos de cozinha tradicional portuguesa, numa zona que não prima propriamente pela excelência gastronómica. Tem portanto tudo para dar certo, e podem contar comigo para futuros fights.

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Tuesday, 23 August 2016

Um fight que não chegou a ser ...

Eis que é chegado o momento de fazer um post de um não-fight. Era dia de repeteco, pelo que o sítio é já conhecido (ver aqui). Rumemos à Figueira da Foz:


Nome: Forte Santa Catarina
Data da visita: Julho de 2016
Localização: Figueira da Foz
Comentário: a expectativa era grande, mais ainda por estar reunido um grupo de experimentados comensais desejosos de meter o dente num belo rodízio de marisco. Sendo aproximadamente 14.15h, tivemos o cuidado de ligar para o spot a confirmar se nos receberiam, caso chegassemos até ás 15h. Perante resposta positiva, fizemos os 30kms que nos separavam da bela Figueira da Foz, das finas areias brancas imortalizadas pela voz de Maria Clara. Demos entrada no Forte Sta Catarina uns minutos antes das 15h, já com o pensamento completamente toldado pela imagem do rodízio, quando somos recebido por uma colaboradora que com uma expressão empedernida, encetou num diálogo mais ou menos nesta linha:
- Já são quase 15h. A cozinha já fechou.
- Mas acabamos de ligar para cá! Disseram que nos recebiam. Chegamos dentro da hora. - retorqui eu, ainda com a esperança que o bom senso imperasse.
- Pois, lamento, não será possível. - reforça a colaboradora.
- É possivel falar com quem nos atendeu o telefone. Não sei o nome. - pedi eu.
- Deve ter sido algum colega do turno anterior, que já saiu. Lamento.
- Conduzimos 30 kms de PROPÓSITO para vir cá... - ainda eu, com alguma réstia de esperança
- Pois, lamento  - continuou a mesma expressão.
- Sugere alguma coisa, que possamos comer? - continuei eu, já vencido.
- Sim, podem sempre procurar num dos restaurantes da marginal ... a esta hora não sei...

Uau! Uma empresa que recomenda aos clientes que procurem na concorrência. TOP!
Ainda no próprio dia, deixei uma mensagem a partir do formulário de contacto no site institucional (http://fortesantacatarina.com/) ... 2 dias depois, sem qualquer resposta. Foi então que tentei o contacto via o messenger do Facebook, e aí sim, fui contactado de forma cordial por um senhor que assinou como Nuno, que pediu desculpa e assegurou que iriam averiguar se a situação efetivamente ocorreu como eu tinha dito ... é sempre agradável duvidarem da nossa palavra. O assunto está desde então, como a casa está para mim ... morto! Não obtive mais feedback por parte do Forte Sta Catarina.
Podia enumerar 2 ou 3 coisas que correram mal, mas não o vou fazer. Que se lixe ...
Duas notas de relevo:
1 ) Fomos servidos num restaurante alguns metros abaixo, sem qualquer constrangimento. Não há portanto qualquer lei camarária que impeça cozinhas de trabalharem na Figueira após as 15h.
2) No Tripadvisor, o Forte Sta Catarina, tem uma cotação de 3.5, não é grande coisa ... significa que não é consensual ... há trabalho a fazer, definitivamente.

Aceitam-se dicas e sugestões sobre rodizios de marisco na zona!!  Partilhem ...

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Vamos brindar com vinho verde, que é do meu Portugal

Saudosas palavras de Paulo Alexandre, eternizadas na sua canção Vinho Verde, um hino ao Minho, terra com uma gastronomia unica. Em dia de calor a sério, evento pouco comum em terra de nortada, rumamos à pitoresca vila de Fão, pedaço de terra entre o Atlântico e o rio Cávado. 






Nome: Rita Fangueira
Data da visita: Junho de 2016
Localização: Fão, Esposende
Comentário: o spot é já um velho conhecido, não por casa de pasto, mas sim pela sua pasteleria, especificamente por ter sido onde surgiu o folhadinho, um pastel de folhado com doce de ovos um dos ícones da terra. Já lá iremos. Já não sei exatamente qual o motivo, mas a verdade é que acabamos à porta da Rita Fangueira em dia de Domingo solarengo em plena hora de almoço. Sala cheia com alguns comensais à espera no exterior, dão sinal positivo sobre o fight que se avistava.
A sala possui uma decoração simples, despretensiosa e é uma autentica viagem aos anos 70, década em que provavelmente a casa foi fundada. Atenção, não é uma crítica! Somos instalados, por um staff extremamente simpático e com evidente intenção de bem receber, numa mesa à janela onde pudemos usufruir de uma vista sobre uma das alamedas da vila com o Cávado ao fundo. Enquanto, estudávamos a carta, fomos aligeirando a fome com umas entradas compostas por broa com chourico, bolinhos de bacalhau e pão do tipo regueifa com manteiga das Marinhas, que para quem não sabe é uma freguesia de Esposende mais a Norte. Nota positiva pela opção de um produto da região. A carta é diversificada q.b. tanto em carne como em peixe, sendo facilmente perceptível que é no peixe que a casa aposta os seus esforços. Faz sentido! Sem grande hesitações recaimos a escolha sobre os filetes de polvo com arroz do mesmo e uma feijoada de polvo. Sim, feijoada de polvo! Surpreso? Pois, eu também. Uma inovaçao ... pelo menos para mim.
Rapidamente, fomos servidos, sempre de forma simpática e com evidente vontade de bem receber, reforço. A feijoada de polvo era visivelmente rica, com bons nacos de polvo tenro, mexilhão e gambas de bom calibre. Tinha tudo para correr (muito) bem se não fosse por facto de ... o feijão ser de lata ... quase de certeza. Se não era, peço desde já desculpa, parecia. Mole e sem sabor. Algo inaceitável, mais ainda em terra de lavoura. Já os filetes de polvo, estavam uns pontos acima da feijoada, mas também sem deslumbrar. O arroz então, estava demasiado cozido e podia ter mais sabor. Desiludiu, mais ainda quando é apontado como o prato bandeira da casa.
Para acompanhar, de outra forma não poderia ser, optamos pelo verde da casa:
- De onde é este verde da casa? - pergunto eu.
- Felgueiras? - responde de forma simpática a funcionária.
- Felgueiras?? - questiono eu de novo, um pouco surpreso.
- Sim. Já usamos um vinho da região, mas as pessoas não gostavam ... não era grande coisa. Mudamos.
WTF?! Da janela, no horizonte quase se vê o limite do concelho de Barcelos! Não arranjavam vinho verde de qualidade mais perto?? Desabafo meu ... valeu a honestidade quase ingénua. Importa referir que o dito verde de Felgueiras era bastante bom, com um algum pico, acidez moderada e bons aromas a fruta. Mais ainda a 4€ a de 0.75cl ... não poderia pedir mais.
Eis que chega a hora de avançar para a sobremesa. Há um doce da casa, o qual consegui visumbrar logo à chegada e que a explicação da funcionária confirmou a minha dúvida: recordam o início do texto, em que mencionei, os folhadinhos, a especialidade da casa? Pois bem, o doce da casa era um bolo servido ás fatias que era nem mais nem menos do que uma versão gigante do dito folhadinho. Cada fatia corresponderria certamente a 4 ou 5 folhadinhos. Deveria conter um letreiro a dizer "Perigo de morte para diabéticos e hipertensos"! Delicioso, simplesmente! Um grand finale.
Pedida a conta, somos confrontados com um valor a rondar os 11€/pax! Objetivamente falando, um valor muito em conta para a refeição apresentada com vinho e tudo.
Repeteco? a comida ficou bem abaixo das expectativas, com o uso de feijão de lata a ganhar a medalha de latão. O próprio filete de polvo e o arroz do mesmo, também ficaram aquém das expectativas. Não estou a desaconselhar explicitamente uma visita, porém há coisa boa na zona pelo que não creio lá voltar tão cedo.

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Sunday, 7 August 2016

O novo o velho Douro em perfeita harmonia

Restaurantes repletos de comensais das mais diversas nacionalidades ... uma mescla de linguas e culturas ... uma economia fortemente potenciada por um turismo com razoável ou mesmo grande poder de compra. Estaremos numa capital europeia ou numa das mais trendys zonas balneares? Nada disso! Estamos em pleno Peso da Régua, porta de entrada no Douro vinhateiro, onde o velho se une com o novo, para dar lugar a uma região com características unicas no país, ou mesmo na Europa.





Nome: A Tasquinha
Data da visita: Junho de 2016
Localização: Peso da Régua
Comentários: o Douro está a viver um novo momento, de grande crescimento e procura. O seu principal activo, sem dúvida que é o vinho e o enoturismo que o mesmo atrai. Sempre que por lá estou questiono se poderá o Douro competir com as grandes regiões viti-vinicolas da Europa, como a Rioja de nuestros hermanos, Champagne dos franceses ou a Toscânia dos italianos ... pode! E é precisamente pelo facto de ainda possuir uma honestidade e pureza, características das suas gentes, que arrisco dizer que compete e pode ganhar! Talvez ainda falte criar uma gama média de serviços e estabelecimentos ... a atual oferta está muito particionada entre a alta gama, e consequentemente cara, e o muito básico, imagem do unico tipo de oferta disponível na era pré-boom. Mas é nesta linha que ainda é possivel encontrar spots fantásticos e honestos, onde podemos degustar o melhor que a gastronomia douriense tem para oferecer. A Tasquinha é um desses spots, localizada no centro da cidade do Peso da Régua, com uma decoração simples e despretenciosa. A simpatia do seu staff, composto pelo proprietário e a sua familia, é evidente mal entramos. A carta não sendo muito extensa tem algumas referências tanto de peixe como de carne. Para este fight já tinha algo em mente ... a posta maronesa! Maronesa é uma classificação DOP (Denominação de Origem Protegida) atríbuida a carnes criadas na região de Trás-os-Montes, com determinadas características, que podemos de forma resumida descrever como MUITO BOA!!! Sendo o grupo grande, além da posta foi também escolhida a vitela assada com batata. Em pouco tempo somos servidos e eis que começa uma verdadeira sinfonia de aromas e sabores ...
A posta, um naco de carne de generosas dimensões é servida em fatias, que permitem visualizar o esmero aplicado na grelha. Nem demasiadamente cozinhada, mas q.b. o suficiente para agradar aos menos fãs de carne mal passada. O empratamento é da responsabilidade de quem serve, ou seja o proprietário, e é por si só um autentico ritual, com a abertura das batatas a murro em quatro gomos e devidamente regadas com o molho da posta rico em azeite de qualidade. Acompanha com cebola, pimento e uns cogumentos salteados. Não exagero quando afirmo que é a melhor, ou pelo menos das melhores postas, que já provei. Carne tenra e cheia de sabor. Até os cogumelos, que numa primeira análise dir-se-ia algo deslocados, provam ser uma mais valia ao prato. Findo o primeiro prato foi tempo de me virar para a vitela assada, tarefa nada fácil depois de ter iniciado com a posta.  Sem surpresa, atrás da posta, mas também muito boa. Tenra e cheia de sabor. Acompanhava com uma salada, cujos legumes eram visivelmente caseiros, a ver pelo tomate coração de boi, bem maduro, com uma intensidade de sabor que só o caseiro proporciona. Deixo a imagem falar por si.
Para "moer" toda esta carne, foi chamado, como seria de esperar o tinto da casa, um néctar produzido pelo pai do proprietário a poucos kms da Régua. Um verdadeiro filho da terra portanto. Boa estrutura, acidez, taninos evidentes e sabor a fruta como só o sol duriense consegue proporcionar. Esqueça portanto a lista de vinhos e vá para o da casa, que não se irá arrepender.
Apesar do pouco espaço para a sobremesa, houve ainda vontade de experimentar um pijaminha onde foi possível provar um pouco de cada uma das iguarias caseiras disponíveis na carta. Sem surpresa, todas (muito) boas. Como cortesia da casa, um copo de vinho de porto, também ele de produção caseira.
Já tarde ia avançada quando se pediu a conta. Um valor a rondar os 14€/pax, faz da Tasquinha um verdadeiro campeão da relação preço/qualidade. E não é preciso incidir sobre o preço para considerar a casa um achado ... só a qualidade da comida fa-lo-ia por si só!
Repeteco? A Tasquinha é ponto de paragem obrigatório no roteiro do Douro. Se irei voltar? Sem dúvida.

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Wednesday, 20 July 2016

Plain and simple in Oliveira de Azemeis

Por terras de Oliveira de Azemeis, quando o relógio se posicionou naquele ponto em que urge suprir as necessidades energéticas, eis que surge na memória um spot que em tempos tinha ficado a promessa de visita, quando oportuno. Fui!



Nome: Dom Pipas
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Oliveira de Azemeis, perto do centro
Comentário: há fights que não retemos. Não necessariamente, porque correu mal, mas porque também não deslumbraram, e é assim que a mente humana funciona: só nos lembramos do muito bom e do muito mau. Mas conhecer todo aquele cinzento que há entre o preto e branco é sensato, e como tal também conhecer onde se come bem e a bom preço em qualquer lugar, não é informação a mais. O Dom Pipas, é um desses casos. Mal entramos na casa, deparamos com uma sala imensa, e quando digo imensa, é do tipo, servia para um casamento. Esta casa é bem conhecida na zona, como a ideal para grandes grupos. Este fight em concreto teve lugar ao almoço a um dia da semana, pelo que os comensais eram tipicamente, pessoal que trabalha na zona. Há quatro ou cinco pratos de diárias, mas por uma questão estratégica optei pela carta, que tinha alguma diversidade tanto de carne como de peixe. No momento em que os olhos passaram por "bacalhau com brôa", a decisão ficou imediatamente tomada ... algo quase pavloviano, mesmo! Assustador, até!!
Após algum (não tão pouco como isso) tempo de espera, eis que chega o peixe rei ...  deixo ao leitor, pela foto, percecionar a dimensão da dose! Muito generosa. Uma boa posta, a sair ás lascas,  branquinho e salgado no ponto! A qualidade era indiscutível. Quanto à brôa,estava bem envolta em azeite e funcionava muito bem com o bacalhau. Umas batatas a murro finalizam o empratamento.
Coube ao vinho da casa, uma 0.75cl  de Meia Encosta tinto, a tarefa de maridar com o prato. Este entrada de gama do Dão, portou-se bem, e é mais uma prova que não tem de ser caro para ser bom.
Depois de alguma luta, para conseguir não deixar muita coisa na travessa, e que luta essa, foi preciso chamar todas as forças para ainda ir à sobremesa. Nova analise à carta e nova reacção pavloviana com a tarte de limão. Fiquei um pouco desiludido no entanto. Não estava má, mas era notório que era de fabrico industrial ... pena.
Concluido o repasto, chega uma conta a rondar os 14€/pax, um valor bastante justo, até mesmo muito em conta, considerando a qualidade e a generosidade das doses.
Repeteco? É pouco provavel. Não estou a "desrecomendar" (acho que esta palavra não existe) e até será uma boa opção para jantares de grupo grandes, mas não sobressaiu o suficiente.

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Tuesday, 12 July 2016

Sushi e peixe fresco em Matosinhos ... de novo

Vou buscando ás minhas mais profundas memórias, enquanto escrevo estas linhas, como era em tempos idos a famosa rua "dos restaurantes de peixe", junto à lota em Matosinhos. Se por fora pouco mudou, com as grelhas na rua a exibir o orgulho de cada casa, o seu peixe mais fresco, por dentro passaram os ventos da mudança. O sushi instalou-se e com ele veio o requinte. Não está pior. Pelo contrário ... agora há muita oferta e mais variada ainda! Peixe é em Matosinhos.





Nome: Sempr'Assar
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Matosinhos, junto à lota
Comentário: sem muito detalhar, era um dia muito especial e pertencendo eu à geração do online socorri-me do social media para "detetar" um sítio para comer peixe, e já agora para os lados de Matosinhos. Et voilá, que surge no top do Zomato um nome até então para mim desconhecido, mas que tinha todos os sinais que iria dar certo: peixe fresco e sushi. Houve um momento de hesitação, pois precisamente na mesma zona há spot fantástico, também ele reinventado e onde o sushi faz também parte da oferta. Curioso? Ler aqui. Dúvidas e incerteza postas de parte e rumamos ao Sempr'Assar, com estacionamento fácil, no parque da Docapescas, com quem a casa tem acordo e é oferta. De aproveitar, pois na zona em causa, estacionamento é entre o difícil e o impossível.
A decoração é simples, moderna, funcional e com uma estética limpa que condiz com o ambiente calmo e pouco ruidoso do seu interior, um contraste com outras casas da zona. Fomos encaminhados para a sala do piso superior e instalados numa mesa à janela com uma vista que não nos deixa esquecer onde estamos. Felizmente, não foi preciso escolher entre peixe ou sushi, pois por sugestão do proprio empregado que nos atendeu, sempre de forma atenciosa e cordial diga-se, pudemos escolher um menu sushi de 10 peças para entrada e finalizar com um prato de peixe. O melhor dos dois mundos portanto.
Em tempo razoável foi servido o sushi, composto pelos clássicos: nigiri, gunka e rolls. Estavam bons, é verdade. O melhor sushi que já comi? Não. O molho de soja vinha servido, note-se a originalidade, fresco, que segundo informação, seria uma forma melhor de extrair os sabores. Gostei? Não posso dizer que não gostei, mas reconheço não ter percecionado as ditas diferenças, quando servido á temperatura ambiente, a forma mais comum.
Avançamos para o prato de peixe, um robalo de mar, acompanhado por açorda peixe, uma outra sugestão do empregado, para mim até ao momento uma combinação pouco provável. E ainda bem que o fez, pois não só a açorda estava deliciosa como a maridagem com o robalo funcionou na perfeição. O robalo por sua, vez era notoriamente fresco, de carne branquinha e grelhado no ponto sem deixar secar. Nota muito positiva ... é verdade! estamos em Matosinhos!!
Para acompanhar esta aventura do mar, foi uma 0.37cl de um branco, que não retive a marca (malditas faturas simplificadas que não discriminam o conteudo), mas que seguramente era um mainstream. Portou-se bem. Informação importante, o facto de servirem sangria a copo, a qual tive oportunidade de provar, especificamente a de espumante. Muito bem feita.
Para finalizar e deixar a boca doce, uma fatia de tarte de lima com base de Oreo. Como seria de esperar a acidez da lima, ligou bem com a base doce da Oreo. Original, sem dúvida.
Em tom de resumo, o Sempr'Assar conseguiu inovar e supreender mesmo a partir de pratos básicos como a açorda e o robalo e mesmo a tarte de lima.

O preço, esse ficou pelos 35€/pax ... um valor não muito simpático, mas que acaba por estar em linha com outras casas do género. Comer peixe fresco, mais ainda sendo de mar, sai caro. 
Repeteco? O Sempr'Assar tem o seu espaço proprio, no sentido em que pelo seu ambiente e serviço é o ideal para um jantar a dois ou mesmo um almoço de trabalho mais formal. E será nesse contexto que poderei voltar. Porém a concorrência é feroz, e não teve o impacto suficiente para me fazer esquecer outras casas, ali bem perto. Mas recomendo a quem não conhece, que o faça.



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Sunday, 3 July 2016

Coimbra tem mais encanto ... à mesa

A zona de Coimbra pode ser, para os mais distraídos, considerada uma zona com pouca identidade gastronómica, principalmente quando comparada com outras regiões como o Minho, o Alentejo ou Trás-os-Montes. Nada de mais errado, se pensarmos na riqueza e diversidade da cozinha beirã, a proximidade ao leitão e o facto de ser o berço da mítica chanfana, um expoente máximo da nossa gastronomia. Hoje vamos até Coimbra e não é para ouvir o fado nem ver capas e batinas.

arroz de feijão
os famosos ossos e a petinga em escabeche ao fundo
a famosa chanfada, embaixadora da cozinha beirã
um close-up da chanfana
o arroz de feijão com a vitela
vomitado ... a especialidade da casa

Nome: Zé Manel dos ossos
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Coimbra, centro da cidade
Comentário: reconheço que Coimbra não é um ponto de paragem habitual nestas minhas andanças pelo nosso abençoado retângulo à beira mar plantado. Não porque tenha algo contra, muito pelo contrário, mas porque simplesmente não se proporciona. Na mais recente visita à cidade dos estudantes o que mais me impressionou foi a movida alimentada à base de turistas, maioritariamente estrangeiros. Isto é algo que estamos habituados a ver em cidades como Lisboa ou Porto, mas sinceramente não estava à espera de encontrar uma Coimbra cosmopolita e multi-cultural. O plano era almoçar na cidade em spot referenciado há já algum por tempo por um kamarada comensal, descrito como: 
- ... um sítio muito pequeno, onde se comem ossos. 
- Ossos? - questiono eu ... 
- Sim, tipo costelinha, mas diferente ... muito bom!
- Ah ok! Tenho de um experimentar ... thanks pela dica.
Ora, bastante tempo depois, numa paragem na cidade do conhecimento, eis que surge a oportunidade de tirar do "saco das dicas", o Zé Manel dos ossos. Localizado em pleno coração da cidade, de estacionamento entre o muito dificil e o impossível, numa viela em que literalmente não cabem das pessoas lado a lado, chegamos ao Zé Manel. A primeira visão é de uma fila de largos metros composta por pessoas de todo o mundo ... maldito sejas, Tripadvisor que revelas todos os segredos a qualqur um!
Depois de uma boa meia hora a aguardar na fila, lá nos foi dado acesso ao interior da casa e imediatamente me veio à memória a primeira descrição da casa como "um sítio muito pequeno" ... pequeno é favor! É mesmo bastante pequeno, com cerca de meia duzia de mesas, num espaço onde normalmente não caberiam mais de três! 
papel com dedicatórias a cobrir as paredes
O elemento que mais depressa salta à vista da decoração é o facto das paredes estarem repletas de papeis com dedicatórias, em todas as linguas ... algo a fazer corar qualquer monumento de nível mundial. Papel, papel, papel por todo o lado, a contribuir ainda mais para um ambiente a roçar o claustrofóbico. A propria forma de staff receber e servir os comensais é por si só parte do espetáculo. Boa disposição, brincadeira e interacção com os clientes é uma constante. A carta como seria de esperar é composta por petiscos de comida tradicional portuguesa e possui bastante diversidade. Como não sabiamos exatamente o que pedir e pretendiamos provar o maior numero possível de pitéus, optamos pela decisão técnica mais acertada: a elaboração de um pijaminha, ideia apreciada pelo simpático senhor que nos atendeu e que ajudou com toda a boa vontade a que fossem seleccionados os petiscos mais emblemáticos da casa. Depois de algum trabalho técnico, o produto final foi:
- a petinga com molho de escabeche
- os famosos ossos
- a imperdível chanfana com batata cozida e feijão verde
- vitela grelhada com arroz de feijão

Se algo havia, transversal a todos os pratos, era a excelência e o aspeto caseiro. As petingas estavam bastante boas, com sabores evidentes do vinagre. Os famosos ossos, são as costelas de porco cozidas, com um molho à base de pimentão (especulo eu que fosse pimentão) simplesmente dívinal. Uma forma diferente de comer as costelas do porco, que ficou desde logo com mais um fã para toda a vida. A carne da chanfana estavem bem macia e tenra (a desfazer com o garfo) com molho bem escuro repleto de sabor. Arrisco dizer que esta chanfana passou para o meu top 3 pessoal do prato. Terminada a chanfana, eis que chega a hora de passar ao que elegi como o prato rei do fight: o arroz de feijão com vitela grelhada. De todos, claramente o prato mais simples e menos diferenciador, mas cuja genialidade do arroz trouxe essa consequencia ... o feijão era caseiro, e o arroz estava cozido na perfeição numa calda vermelho vivo e grossa que era uma verdadeira explosão de sabor. Simplesmente viciante, ao ponto de dizer que em futuros repetecos, tudo teria de ter este arroz a acompanhar. É preciso dizer mais?!?! 
As doses são bastante generosas, mais do suficientes para satisfazer o mais ávido comensal. Coube ao tinto da casa a dificil tarefa de casar toda esta diversidade e complexidade de sabores, um néctar de Terras de Sicó com taninos evidentes e boa estrutura. Nota muito positiva pela escolha de um vinho da região para levar o emblema da casa, mais ainda sendo uma zona fora das grandes e mais consensuais regiões vinicolas. Uma oportunidade para provar coisas diferenciadoras.
A generosidade das doses e a estrutura dos pratos mandavam que saltassemos a sobremesa, mas o facto da especialidade da casa se chamar "vomitado", sim percebeu bem, "vomitado", fez com que a curiosidade falasse mais alto e houvesse ainda a vontade de arranjar um espacinho para receber a especialidade de tão sugestivo nome. O vomitado é um doce de ovos e amêndoa, simplesmente divinal. O amargo da amêndoa e o bom doseamento do açucar proporciona um bom equilibrio ao ponto de nos congratularmos por não termos cometido o erro de saltar a sobremesa. 
Um bom par de horas depois de termos iniciado o fight eis que chega o momento de pedir a dolorosa, que rondou os 15€/pax, que transporta o Zé Manel para o pódio da melhor relação preço/qualidade. 
Repeteco? é assim: no dia da visita e nos dias seguintes, devem ter sido umas dezenas as vezes que dei por mim a pensar quando regressaria e até já tinha a ementa mentalmente preparada ... claro que iria envolver bastante arroz de feijão! É preciso dizer mais? 5*.



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Saturday, 2 July 2016

Festa do peixe no Montijo

O local era o Montijo e o clima estava ameno pelo que peixe foi uma escolha fácil e consensual. O spot é já um velho conhecido, porém há muito por visitar. A informação que a gerência è nova foi o momento decisivo! Rumemos à zona ribeirinha dessa bela localidade.



Nome: Maré Cheia
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Montijo, zona ribeirinha
Comentário:  zona de fácil estacionamento com vista privilegiada sobre o estuário do Tejo, encontramos o Maré Cheia. Este spot não é para mim novo ... no passado era visita frequente, e apesar de não achar mau, também não achava nada de especial. Simplesmente, era prático. A tomada de conhecimento de que havia nova gerência e que estava a fazer um bom trabalho trouxe boas expectativas para o fight que se avistava. A sala é imensa, com uma decoração simples, funcional e completamente despretensiosa. A arca do tesouro desta casa é a banca de peixe logo à entrada. Já nas minhas visitas passadas a banca estava presente, porém a anos luz da quantidade e diversidade de peixe fresco que se apresentava neste dia! Robalo, douradas, pargos, choco, truta, enfim, um sem numero de especies, em que o aspeto fresco era traço comum a todos. O comensal pode logo aí escolher o bicho e então dirigir-se para mesa, enquanto a grelha faz a sua mestria. Pão e azeitonas para entrada, enquanto se estuda a carta dos vinhos, que possui alguma diversidade e a preços razoáveis. A escolha caiu logo para uma 0.75cl de Vale da Judia, elaborado com uva moscatel na vizinha Pegões. Um branco com boa acidez, fresco e servido em flutes, que prometia estar à altura da dourada, escolhida à minutos atrás e que em menos de nada estava na mesa pronta a ser degustada. Servida escalada, estava bem grelhada e nem um pouco seca. Estava confirmada a qualidade e frescura avaliada à entrada.
Relativamente à guarnição, a casa disponibiliza uma solução inovadora: um buffet onde o comensal encontra batatas cozidas, legumes, pimentos assados, salada e outros. Achei que batata cozida, legumes e pimentos vermelhos assados estariam à altura da dourada. E não errei ... tudo saboroso e merecedor de nota positiva.
Por opção, saltamos a sobremesa e reconheço não ter tido oportunidade de avaliar a carta para referência a futuras visitas.
Não posso terminar este texto, sem uma menção honrosa para o staff que se mostrou afável e eficiente durante todo o fight.
A dolorosa ficou a rondar os 25€/pax, um valor pouco simpático, para uma refeição sem sobremesa e sem abusos ao nível de bebidas. Porém já se sabe que comer peixe fresco não é propriamente barato e se tivermos em conta a frescura e qualidade, verificamos que o valor está em linha com outras casas na mesma gama.
Repeteco? Sem dúvida. O Maré Cheia voltou a estar no meu roteiro para o Montijo, mantenha esta nova gerência o bom rumo, que me foi permito vislumbrar neste fight.

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Sunday, 26 June 2016

Proibido usar gravata!

O dia, estava todo ele destinado para percorrer a nossa bela cidade capital o que representou uma oportunidade para conhecer um spot com fama antiga e sobre o qual não tinha tido eu até então, privilégio de frequentar.




Nome: Adega das Gravatas
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Lisboa, zona de Carnide
Comentários: a manhã começava a arrastar-se pela tarde dentro e com ela a necessidade de repor a carga energética. Aproveitando o facto de estarmos pela zona de Carnide, foi logo sugerida uma visita a casa antiga onde "se comia muito bem e havia imensas gravatas penduradas a decorar a casa". A Adega das Gravatas está localizada naquele miolo de Carnide onde outrora houvera bairros operários de casas baixas e ruelas em pedra. A entrada é discreta e dá acesso à sala de jantar onde efetivamente a decoração à base de gravatas, que só pelas cores e modelos disponíveis nos convida imediatamente a uma viagem retrospectiva no tempo. Rapidamente instalados por um staff energético e eficiente é-nos apresentado um pequeno sortido de entradas composto por pão, gambas, queijo, presunto e polvo em molho de vinagrete. O bom paladar e frescura de tudo foram a confirmação daquilo que o olhar adivinhava.
Enquanto tratavamos de consumir as entradas, fomos analisando a carta, que se apresentava com bastante diversidade tanto em carne como em peixe. Sabendo antecipadamente que o polvo era uma das especialidades da casa, ficou desde logo escolhido como o prato que iria abrir o fight. Também ficou acordado entre os comensais que se faria um pequeno pijaminha, para que fosse dada a oportunidade de provar pelo menos mais um pitéu da casa ... coube ás pataniscas com arroz de berbigão a honra.
O polvo fez jus á fama e provou ser digno embaixador da casa. Tenro e grosso, bem salteado em azeite e alho foi servido com batatas assadas, feijão verde também ele salteado em azeite e alho, cenoura e tostas de pão que absorveram o azeite e o sabor a alho, dando um toque de genialidade ao prato. Sem máculas, portanto!
Finalizado o polvo, foi vez de passar ás pataniscas, que de forma consensual entre os comensais estavam uns valentes pontos abaixo do fantástico polvo. Seria mais correto chamarem filetes de bacalhau, pois na pratica assemelhava-se mais a filetes fritos do que a pataniscas, onde esperavamos encontrar uma massa fofa. Por outro lado o arroz de berbigão acabou por conseguir repor os níveis de confiança no topo ... cozido sem ser em demasia, com calda grossa e cheio de sabor a mar. Um portento! 
Relativamente, à generosidade das doses, nada a apontar ... mais do que suficientes mesmo para comensais mais exigentes em termos nutricionais.
Por motivos práticos e porque o dia ainda estava a começar, optamos por não beber vinho, e limitamos à cerveja (uma só) a tarefa de acompanhar a comida. Reconheço que possa ter sido limitador ... houve porém espaço para deitar um olho rápido à lista de vinhos, que serviu para verificar ser a mesma diversificada com referências de todo o país e com preços alinhados com o mercado.
Decisão idêntica para a sobremesa ... saltamos. Ficaria para uma proxima visita.
Em termos de valores, ficou a rondar os 13€/pax. Porém este valor não é de todo representativo do que será um fight aqui, pelo facto de termos optado por cerveja e sem sobremesas. Um fight com tudo aquilo a que temos direto, deverá ficar por valores na casa dos 20€/pax ... condicionado, obviamente pelas escolhas que forem feitas, especialmente ao nivel do vinho. É no entanto um valor ajustado à casa e à qualidade apresentada.
Repeteco? Apesar das pataniscas terem sido um tiro ao lado, toda a restante refeição é merecedora de reconhecimento. Um repeteco é claramente obrigatório, desta com mais tempo e calma para que se possa visitar os vinhos e as sobremesas.


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