Sunday, 11 September 2016

Viagens na Madeira I

Quis o fado que este vosso narrador rumasse à Pérola do Atlântico, um dos redutos da exploração Lusa dos mares e dos perigos que encerravam. Se dúvida ainda existe, estou a referir-me à ilha da Madeira. E desengane-se quem acha que na Madeira é só espetada em pau de louro e restaurantes caros para turista inglês pagar para comer batata frita com maionese.






Nome: Casa da Palha
Data da vista: Agosto de 2016
Localização: São Jorge, Madeira. Por trás da Igreja de S. Jorge.
Comentários: a visita a este spot foi obra do acaso, pelo simples motivo que andava (desesperadamente) à procura de um posto de combustível. Alimentado o veículo, era hora de alimentar o condutor e seus ocupantes ... S. Jorge, é um complexo "urbano" de meia dúzia de ruas e ruelas pelo que 5min a calcorrear as ditas permitem fazer um "recon" (usando linguagem táctica militar) razoávelmente detalhado. Mesmo assim, encontrar a Casa da Palha não foi de todo fácil ... uma vez mais a sorte, que está sempre do lado dos justos e esfomeados, fez que com reparássemos numa placa mesmo junto à (lindissima já agora) Igreja de S. Jorge. Mão divina dirão os mais crentes.
O nome diz tudo ... o estabelecimento é composto por 2 ou 3 edificos, a lembrar cubatas, com tetos em palha, precisamente. No centro um pátio ou antes um adro, a servir de esplanada, onde só o clima tropical da Madeira permite usufrui de tal espaço praticamente todo o ano.
Sentados e instalados e já com os tablets e smartphones ligados a rede wifi da casa, ... haverei de um dia fazer um post todo ele dedicado à internet nos restaurantes, começamos a analisar a carta. Não era muito extensa e no dia havia dois ou três pratos de carne e outros tantos de peixe. O staff cordial e com um profissionalismo evidente indicou que a carne da noite e o frango à casa são especialidades da casa, palavras suficientes para que a escolha ficasse logo determinada.
Em tempo relativamente curto somos servidos e eis que se inicia um momento de registo na história da degustação gastronómica. A carne da noite, consiste em nacos de porco marinados durante toda a noite em vinha de alhos. A simplicidade do prato é assustadora, mais ainda tendo em conta o resultado final. A carne soculenta e tenra, cheia de sabor acompanhava com um arroz de forno simples, ervilhas cozidas e batata doce. KISS (Keep It Simple Stupid)! Um prato simples, mas extremamente bem feito, a lembrar comida da avó!
O frango seguia a mesma linha ... a carne era marinada, à semelhança do prato de porco e acompanhava com legumes cozidos e puré de batata, com um bom sabor a noz-moscada ... pelo menos parecia. Por momentos, senti que estava em casa a almoçar a um Domingo. Fantástico é dizer pouco! Uma prova que o simples consegue surpreender.
Para moer toda esta carne, foi chamado ao serviço um Grão Vasco, tinto de 2013, um clássico de entrada das terras de Dão. Perguntar-me-ão os mais atentos: oh Lambetacho, então aquela tua teoria de escolher sempre vinhos da casa e tal e coisa?! Bem visto. O problema é que os vinhos da Madeira são ESTUPIDAMENTE caros ... sim, se um clássico do Alentejo ou Douro, se arranja por 10€ a 15€ a 0.75cl, já os néctares da ilha não raramente os encontramos abaixo dos 20€ a 25€ a garrafa! Atenção, que isto não é um problema exclusivo da Casa da Palha ... é algo generalizado nas restaurantes da Madeira, que eu classifico como um erro estratégico crasso! Não deveria a restauração local, ser a primeira e a mais interessada em promover os vinhos locais? Porque irei eu pagar o dobro por um vinho de uma marca que nunca ouvi falar e ainda por cima de uma região muito atrás de outras com provas dadas? Esta é infelizmente, algo que observamos noutras regiões, como por exemplo o Algarve! Já repararam que os vinhos do Algarve, que raramente se vêem fora do Algarve, são bastante mais caros que os restantes? Faz sentido? Eu acho que não! À parte deste desabafo, devo dizer que o Grão Vasco, conseguiu comportar sem problemas a riqueza e complexidade de ambos os pratos.
Para fechar, avançamos para a sobremesa, que à semelhança da carta principal possui poucas referências. A escolha foi para uma tarde de côco. Fatia generosa, de fabrico caseiro, com boa consistência, fechou o repasto com chave de ouro.
A conta essa, ficou por um valor ligeiramente abaixo dos 15€/pax, um valor muito em conta para a qualidade da comida servida e do serviço providenciado. Nota muito positiva.
Repeteco? Se algum dia se proporcionar regressar aquelas paragens, com certeza que regressarei à Casa da Palha. Aos locais recomendo que se não conhecem, rumem ao norte da ilha. A quem lá vai de passagem, faça um esforço para que se proporcione uma passagem em S. Jorge e conheçam a Casa da Palha. Vale a pena!

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