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Wednesday, 20 July 2016

Plain and simple in Oliveira de Azemeis

Por terras de Oliveira de Azemeis, quando o relógio se posicionou naquele ponto em que urge suprir as necessidades energéticas, eis que surge na memória um spot que em tempos tinha ficado a promessa de visita, quando oportuno. Fui!



Nome: Dom Pipas
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Oliveira de Azemeis, perto do centro
Comentário: há fights que não retemos. Não necessariamente, porque correu mal, mas porque também não deslumbraram, e é assim que a mente humana funciona: só nos lembramos do muito bom e do muito mau. Mas conhecer todo aquele cinzento que há entre o preto e branco é sensato, e como tal também conhecer onde se come bem e a bom preço em qualquer lugar, não é informação a mais. O Dom Pipas, é um desses casos. Mal entramos na casa, deparamos com uma sala imensa, e quando digo imensa, é do tipo, servia para um casamento. Esta casa é bem conhecida na zona, como a ideal para grandes grupos. Este fight em concreto teve lugar ao almoço a um dia da semana, pelo que os comensais eram tipicamente, pessoal que trabalha na zona. Há quatro ou cinco pratos de diárias, mas por uma questão estratégica optei pela carta, que tinha alguma diversidade tanto de carne como de peixe. No momento em que os olhos passaram por "bacalhau com brôa", a decisão ficou imediatamente tomada ... algo quase pavloviano, mesmo! Assustador, até!!
Após algum (não tão pouco como isso) tempo de espera, eis que chega o peixe rei ...  deixo ao leitor, pela foto, percecionar a dimensão da dose! Muito generosa. Uma boa posta, a sair ás lascas,  branquinho e salgado no ponto! A qualidade era indiscutível. Quanto à brôa,estava bem envolta em azeite e funcionava muito bem com o bacalhau. Umas batatas a murro finalizam o empratamento.
Coube ao vinho da casa, uma 0.75cl  de Meia Encosta tinto, a tarefa de maridar com o prato. Este entrada de gama do Dão, portou-se bem, e é mais uma prova que não tem de ser caro para ser bom.
Depois de alguma luta, para conseguir não deixar muita coisa na travessa, e que luta essa, foi preciso chamar todas as forças para ainda ir à sobremesa. Nova analise à carta e nova reacção pavloviana com a tarte de limão. Fiquei um pouco desiludido no entanto. Não estava má, mas era notório que era de fabrico industrial ... pena.
Concluido o repasto, chega uma conta a rondar os 14€/pax, um valor bastante justo, até mesmo muito em conta, considerando a qualidade e a generosidade das doses.
Repeteco? É pouco provavel. Não estou a "desrecomendar" (acho que esta palavra não existe) e até será uma boa opção para jantares de grupo grandes, mas não sobressaiu o suficiente.

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Tuesday, 12 July 2016

Sushi e peixe fresco em Matosinhos ... de novo

Vou buscando ás minhas mais profundas memórias, enquanto escrevo estas linhas, como era em tempos idos a famosa rua "dos restaurantes de peixe", junto à lota em Matosinhos. Se por fora pouco mudou, com as grelhas na rua a exibir o orgulho de cada casa, o seu peixe mais fresco, por dentro passaram os ventos da mudança. O sushi instalou-se e com ele veio o requinte. Não está pior. Pelo contrário ... agora há muita oferta e mais variada ainda! Peixe é em Matosinhos.





Nome: Sempr'Assar
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Matosinhos, junto à lota
Comentário: sem muito detalhar, era um dia muito especial e pertencendo eu à geração do online socorri-me do social media para "detetar" um sítio para comer peixe, e já agora para os lados de Matosinhos. Et voilá, que surge no top do Zomato um nome até então para mim desconhecido, mas que tinha todos os sinais que iria dar certo: peixe fresco e sushi. Houve um momento de hesitação, pois precisamente na mesma zona há spot fantástico, também ele reinventado e onde o sushi faz também parte da oferta. Curioso? Ler aqui. Dúvidas e incerteza postas de parte e rumamos ao Sempr'Assar, com estacionamento fácil, no parque da Docapescas, com quem a casa tem acordo e é oferta. De aproveitar, pois na zona em causa, estacionamento é entre o difícil e o impossível.
A decoração é simples, moderna, funcional e com uma estética limpa que condiz com o ambiente calmo e pouco ruidoso do seu interior, um contraste com outras casas da zona. Fomos encaminhados para a sala do piso superior e instalados numa mesa à janela com uma vista que não nos deixa esquecer onde estamos. Felizmente, não foi preciso escolher entre peixe ou sushi, pois por sugestão do proprio empregado que nos atendeu, sempre de forma atenciosa e cordial diga-se, pudemos escolher um menu sushi de 10 peças para entrada e finalizar com um prato de peixe. O melhor dos dois mundos portanto.
Em tempo razoável foi servido o sushi, composto pelos clássicos: nigiri, gunka e rolls. Estavam bons, é verdade. O melhor sushi que já comi? Não. O molho de soja vinha servido, note-se a originalidade, fresco, que segundo informação, seria uma forma melhor de extrair os sabores. Gostei? Não posso dizer que não gostei, mas reconheço não ter percecionado as ditas diferenças, quando servido á temperatura ambiente, a forma mais comum.
Avançamos para o prato de peixe, um robalo de mar, acompanhado por açorda peixe, uma outra sugestão do empregado, para mim até ao momento uma combinação pouco provável. E ainda bem que o fez, pois não só a açorda estava deliciosa como a maridagem com o robalo funcionou na perfeição. O robalo por sua, vez era notoriamente fresco, de carne branquinha e grelhado no ponto sem deixar secar. Nota muito positiva ... é verdade! estamos em Matosinhos!!
Para acompanhar esta aventura do mar, foi uma 0.37cl de um branco, que não retive a marca (malditas faturas simplificadas que não discriminam o conteudo), mas que seguramente era um mainstream. Portou-se bem. Informação importante, o facto de servirem sangria a copo, a qual tive oportunidade de provar, especificamente a de espumante. Muito bem feita.
Para finalizar e deixar a boca doce, uma fatia de tarte de lima com base de Oreo. Como seria de esperar a acidez da lima, ligou bem com a base doce da Oreo. Original, sem dúvida.
Em tom de resumo, o Sempr'Assar conseguiu inovar e supreender mesmo a partir de pratos básicos como a açorda e o robalo e mesmo a tarte de lima.

O preço, esse ficou pelos 35€/pax ... um valor não muito simpático, mas que acaba por estar em linha com outras casas do género. Comer peixe fresco, mais ainda sendo de mar, sai caro. 
Repeteco? O Sempr'Assar tem o seu espaço proprio, no sentido em que pelo seu ambiente e serviço é o ideal para um jantar a dois ou mesmo um almoço de trabalho mais formal. E será nesse contexto que poderei voltar. Porém a concorrência é feroz, e não teve o impacto suficiente para me fazer esquecer outras casas, ali bem perto. Mas recomendo a quem não conhece, que o faça.



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Sunday, 3 July 2016

Coimbra tem mais encanto ... à mesa

A zona de Coimbra pode ser, para os mais distraídos, considerada uma zona com pouca identidade gastronómica, principalmente quando comparada com outras regiões como o Minho, o Alentejo ou Trás-os-Montes. Nada de mais errado, se pensarmos na riqueza e diversidade da cozinha beirã, a proximidade ao leitão e o facto de ser o berço da mítica chanfana, um expoente máximo da nossa gastronomia. Hoje vamos até Coimbra e não é para ouvir o fado nem ver capas e batinas.

arroz de feijão
os famosos ossos e a petinga em escabeche ao fundo
a famosa chanfada, embaixadora da cozinha beirã
um close-up da chanfana
o arroz de feijão com a vitela
vomitado ... a especialidade da casa

Nome: Zé Manel dos ossos
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Coimbra, centro da cidade
Comentário: reconheço que Coimbra não é um ponto de paragem habitual nestas minhas andanças pelo nosso abençoado retângulo à beira mar plantado. Não porque tenha algo contra, muito pelo contrário, mas porque simplesmente não se proporciona. Na mais recente visita à cidade dos estudantes o que mais me impressionou foi a movida alimentada à base de turistas, maioritariamente estrangeiros. Isto é algo que estamos habituados a ver em cidades como Lisboa ou Porto, mas sinceramente não estava à espera de encontrar uma Coimbra cosmopolita e multi-cultural. O plano era almoçar na cidade em spot referenciado há já algum por tempo por um kamarada comensal, descrito como: 
- ... um sítio muito pequeno, onde se comem ossos. 
- Ossos? - questiono eu ... 
- Sim, tipo costelinha, mas diferente ... muito bom!
- Ah ok! Tenho de um experimentar ... thanks pela dica.
Ora, bastante tempo depois, numa paragem na cidade do conhecimento, eis que surge a oportunidade de tirar do "saco das dicas", o Zé Manel dos ossos. Localizado em pleno coração da cidade, de estacionamento entre o muito dificil e o impossível, numa viela em que literalmente não cabem das pessoas lado a lado, chegamos ao Zé Manel. A primeira visão é de uma fila de largos metros composta por pessoas de todo o mundo ... maldito sejas, Tripadvisor que revelas todos os segredos a qualqur um!
Depois de uma boa meia hora a aguardar na fila, lá nos foi dado acesso ao interior da casa e imediatamente me veio à memória a primeira descrição da casa como "um sítio muito pequeno" ... pequeno é favor! É mesmo bastante pequeno, com cerca de meia duzia de mesas, num espaço onde normalmente não caberiam mais de três! 
papel com dedicatórias a cobrir as paredes
O elemento que mais depressa salta à vista da decoração é o facto das paredes estarem repletas de papeis com dedicatórias, em todas as linguas ... algo a fazer corar qualquer monumento de nível mundial. Papel, papel, papel por todo o lado, a contribuir ainda mais para um ambiente a roçar o claustrofóbico. A propria forma de staff receber e servir os comensais é por si só parte do espetáculo. Boa disposição, brincadeira e interacção com os clientes é uma constante. A carta como seria de esperar é composta por petiscos de comida tradicional portuguesa e possui bastante diversidade. Como não sabiamos exatamente o que pedir e pretendiamos provar o maior numero possível de pitéus, optamos pela decisão técnica mais acertada: a elaboração de um pijaminha, ideia apreciada pelo simpático senhor que nos atendeu e que ajudou com toda a boa vontade a que fossem seleccionados os petiscos mais emblemáticos da casa. Depois de algum trabalho técnico, o produto final foi:
- a petinga com molho de escabeche
- os famosos ossos
- a imperdível chanfana com batata cozida e feijão verde
- vitela grelhada com arroz de feijão

Se algo havia, transversal a todos os pratos, era a excelência e o aspeto caseiro. As petingas estavam bastante boas, com sabores evidentes do vinagre. Os famosos ossos, são as costelas de porco cozidas, com um molho à base de pimentão (especulo eu que fosse pimentão) simplesmente dívinal. Uma forma diferente de comer as costelas do porco, que ficou desde logo com mais um fã para toda a vida. A carne da chanfana estavem bem macia e tenra (a desfazer com o garfo) com molho bem escuro repleto de sabor. Arrisco dizer que esta chanfana passou para o meu top 3 pessoal do prato. Terminada a chanfana, eis que chega a hora de passar ao que elegi como o prato rei do fight: o arroz de feijão com vitela grelhada. De todos, claramente o prato mais simples e menos diferenciador, mas cuja genialidade do arroz trouxe essa consequencia ... o feijão era caseiro, e o arroz estava cozido na perfeição numa calda vermelho vivo e grossa que era uma verdadeira explosão de sabor. Simplesmente viciante, ao ponto de dizer que em futuros repetecos, tudo teria de ter este arroz a acompanhar. É preciso dizer mais?!?! 
As doses são bastante generosas, mais do suficientes para satisfazer o mais ávido comensal. Coube ao tinto da casa a dificil tarefa de casar toda esta diversidade e complexidade de sabores, um néctar de Terras de Sicó com taninos evidentes e boa estrutura. Nota muito positiva pela escolha de um vinho da região para levar o emblema da casa, mais ainda sendo uma zona fora das grandes e mais consensuais regiões vinicolas. Uma oportunidade para provar coisas diferenciadoras.
A generosidade das doses e a estrutura dos pratos mandavam que saltassemos a sobremesa, mas o facto da especialidade da casa se chamar "vomitado", sim percebeu bem, "vomitado", fez com que a curiosidade falasse mais alto e houvesse ainda a vontade de arranjar um espacinho para receber a especialidade de tão sugestivo nome. O vomitado é um doce de ovos e amêndoa, simplesmente divinal. O amargo da amêndoa e o bom doseamento do açucar proporciona um bom equilibrio ao ponto de nos congratularmos por não termos cometido o erro de saltar a sobremesa. 
Um bom par de horas depois de termos iniciado o fight eis que chega o momento de pedir a dolorosa, que rondou os 15€/pax, que transporta o Zé Manel para o pódio da melhor relação preço/qualidade. 
Repeteco? é assim: no dia da visita e nos dias seguintes, devem ter sido umas dezenas as vezes que dei por mim a pensar quando regressaria e até já tinha a ementa mentalmente preparada ... claro que iria envolver bastante arroz de feijão! É preciso dizer mais? 5*.



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Saturday, 2 July 2016

Festa do peixe no Montijo

O local era o Montijo e o clima estava ameno pelo que peixe foi uma escolha fácil e consensual. O spot é já um velho conhecido, porém há muito por visitar. A informação que a gerência è nova foi o momento decisivo! Rumemos à zona ribeirinha dessa bela localidade.



Nome: Maré Cheia
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Montijo, zona ribeirinha
Comentário:  zona de fácil estacionamento com vista privilegiada sobre o estuário do Tejo, encontramos o Maré Cheia. Este spot não é para mim novo ... no passado era visita frequente, e apesar de não achar mau, também não achava nada de especial. Simplesmente, era prático. A tomada de conhecimento de que havia nova gerência e que estava a fazer um bom trabalho trouxe boas expectativas para o fight que se avistava. A sala é imensa, com uma decoração simples, funcional e completamente despretensiosa. A arca do tesouro desta casa é a banca de peixe logo à entrada. Já nas minhas visitas passadas a banca estava presente, porém a anos luz da quantidade e diversidade de peixe fresco que se apresentava neste dia! Robalo, douradas, pargos, choco, truta, enfim, um sem numero de especies, em que o aspeto fresco era traço comum a todos. O comensal pode logo aí escolher o bicho e então dirigir-se para mesa, enquanto a grelha faz a sua mestria. Pão e azeitonas para entrada, enquanto se estuda a carta dos vinhos, que possui alguma diversidade e a preços razoáveis. A escolha caiu logo para uma 0.75cl de Vale da Judia, elaborado com uva moscatel na vizinha Pegões. Um branco com boa acidez, fresco e servido em flutes, que prometia estar à altura da dourada, escolhida à minutos atrás e que em menos de nada estava na mesa pronta a ser degustada. Servida escalada, estava bem grelhada e nem um pouco seca. Estava confirmada a qualidade e frescura avaliada à entrada.
Relativamente à guarnição, a casa disponibiliza uma solução inovadora: um buffet onde o comensal encontra batatas cozidas, legumes, pimentos assados, salada e outros. Achei que batata cozida, legumes e pimentos vermelhos assados estariam à altura da dourada. E não errei ... tudo saboroso e merecedor de nota positiva.
Por opção, saltamos a sobremesa e reconheço não ter tido oportunidade de avaliar a carta para referência a futuras visitas.
Não posso terminar este texto, sem uma menção honrosa para o staff que se mostrou afável e eficiente durante todo o fight.
A dolorosa ficou a rondar os 25€/pax, um valor pouco simpático, para uma refeição sem sobremesa e sem abusos ao nível de bebidas. Porém já se sabe que comer peixe fresco não é propriamente barato e se tivermos em conta a frescura e qualidade, verificamos que o valor está em linha com outras casas na mesma gama.
Repeteco? Sem dúvida. O Maré Cheia voltou a estar no meu roteiro para o Montijo, mantenha esta nova gerência o bom rumo, que me foi permito vislumbrar neste fight.

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Sunday, 26 June 2016

Proibido usar gravata!

O dia, estava todo ele destinado para percorrer a nossa bela cidade capital o que representou uma oportunidade para conhecer um spot com fama antiga e sobre o qual não tinha tido eu até então, privilégio de frequentar.




Nome: Adega das Gravatas
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Lisboa, zona de Carnide
Comentários: a manhã começava a arrastar-se pela tarde dentro e com ela a necessidade de repor a carga energética. Aproveitando o facto de estarmos pela zona de Carnide, foi logo sugerida uma visita a casa antiga onde "se comia muito bem e havia imensas gravatas penduradas a decorar a casa". A Adega das Gravatas está localizada naquele miolo de Carnide onde outrora houvera bairros operários de casas baixas e ruelas em pedra. A entrada é discreta e dá acesso à sala de jantar onde efetivamente a decoração à base de gravatas, que só pelas cores e modelos disponíveis nos convida imediatamente a uma viagem retrospectiva no tempo. Rapidamente instalados por um staff energético e eficiente é-nos apresentado um pequeno sortido de entradas composto por pão, gambas, queijo, presunto e polvo em molho de vinagrete. O bom paladar e frescura de tudo foram a confirmação daquilo que o olhar adivinhava.
Enquanto tratavamos de consumir as entradas, fomos analisando a carta, que se apresentava com bastante diversidade tanto em carne como em peixe. Sabendo antecipadamente que o polvo era uma das especialidades da casa, ficou desde logo escolhido como o prato que iria abrir o fight. Também ficou acordado entre os comensais que se faria um pequeno pijaminha, para que fosse dada a oportunidade de provar pelo menos mais um pitéu da casa ... coube ás pataniscas com arroz de berbigão a honra.
O polvo fez jus á fama e provou ser digno embaixador da casa. Tenro e grosso, bem salteado em azeite e alho foi servido com batatas assadas, feijão verde também ele salteado em azeite e alho, cenoura e tostas de pão que absorveram o azeite e o sabor a alho, dando um toque de genialidade ao prato. Sem máculas, portanto!
Finalizado o polvo, foi vez de passar ás pataniscas, que de forma consensual entre os comensais estavam uns valentes pontos abaixo do fantástico polvo. Seria mais correto chamarem filetes de bacalhau, pois na pratica assemelhava-se mais a filetes fritos do que a pataniscas, onde esperavamos encontrar uma massa fofa. Por outro lado o arroz de berbigão acabou por conseguir repor os níveis de confiança no topo ... cozido sem ser em demasia, com calda grossa e cheio de sabor a mar. Um portento! 
Relativamente, à generosidade das doses, nada a apontar ... mais do que suficientes mesmo para comensais mais exigentes em termos nutricionais.
Por motivos práticos e porque o dia ainda estava a começar, optamos por não beber vinho, e limitamos à cerveja (uma só) a tarefa de acompanhar a comida. Reconheço que possa ter sido limitador ... houve porém espaço para deitar um olho rápido à lista de vinhos, que serviu para verificar ser a mesma diversificada com referências de todo o país e com preços alinhados com o mercado.
Decisão idêntica para a sobremesa ... saltamos. Ficaria para uma proxima visita.
Em termos de valores, ficou a rondar os 13€/pax. Porém este valor não é de todo representativo do que será um fight aqui, pelo facto de termos optado por cerveja e sem sobremesas. Um fight com tudo aquilo a que temos direto, deverá ficar por valores na casa dos 20€/pax ... condicionado, obviamente pelas escolhas que forem feitas, especialmente ao nivel do vinho. É no entanto um valor ajustado à casa e à qualidade apresentada.
Repeteco? Apesar das pataniscas terem sido um tiro ao lado, toda a restante refeição é merecedora de reconhecimento. Um repeteco é claramente obrigatório, desta com mais tempo e calma para que se possa visitar os vinhos e as sobremesas.


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Sunday, 12 June 2016

Um pequeno tesouro escondido à beira Tejo

Quer o destino e os afazeres, que de vez em vez tenha de me deslocar ao eixo Alverca-Vila Franca de Xira, conhecido pelas suas bucólicas paisagens ... brincadeira! Agora falando a sério: sim, de vez em vez vou para a zona e felizmente tenho sido abençoado com a descoberta de spots onde podemos simplesmente usufruir de honesta comida portuguesa.


especialidade da casa: bacalhau


delicia de Oreo ... uma especialidade da casa
Nome: O motorista
Data da visita: Abril de 2016
Localização: Forte da Casa, Vila Franca de Xira
Comentario: em dia de visita à zona, foi colocado a este grupo de comensais um dilema, com carga dramática equivalente ou superior à clássica pergunta "gostas mais do papá ou da mamã" que era: repeteco a um dos grandes clássicos da região ou avançar para um novo spot? A pergunta não era de fácil resposta pois o clássico era nada mais que o sempre seguro Cantinho da Adanaia, em tempos visitado e perscutado aqui. Pusemos de parte os nossos receios e o normal impulso de ficar sob o conforto do conhecido, e rumamos ao Motorista, uma casa conhecida por um dos comensais presentes, simplesmente descrito como uma "tasquinha onde se come um bacalhau fanstático". Estava decidido!
O estacionamento é de uma forma geral dificil e poderá obrigar a uma curta caminhada até ao local. A entrada é discreta ao ponto de passar despercebida aos mais distraídos. No interior, a decoração é  simples e funcional, e a capacidade completamente lotada é o primeiro sinal que o se avizinha promete. Tivemos inclusivé de aguardar uns 10-15min para ter mesa, que aproveitamos para fazer reconhecimento visual dos petiscos que estariam à nossa disposição. O roteiro estava mais ou menos já traçado e ia passar pelo famoso bacalhau da casa, porém após leitura e análise ao cardápio constatamos que era dia de favas com chouriço o que levantou um imenso dilema moral que apenas foi sanado com a sensata decisão de fazer um pijaminha ... começariamos com as favas e finalizariamos com o bacalhau. Nestas coisas, "augar" é que não! Em caso de dúvida mais vale provar de tudo, do que ficar mais tarde a "cismar" se tomamos a decisão certa.
Após um curto periodo de espera, eis que o fight se iniciar com as favas. Bem cozidas com molho grosso e toque a hortelã arrisco dizer que estas favas entraram para o meu top 5. Costela, murcela, chouriço e farinheira davam riqueza e consistência ao prato. Só coisas boas a dizer, sem sombra de dúvida e eis que é chegado o momento de passar ao bacalhau, a especialidade da casa. Frito em azeite com molho de cebola e batata frita, foi deposto na mesa com o azeite ainda a ferver, prova cabal que tinha acabado de ser confeccionado. Posta alta e branca do lombo ás lascas servida em pûcara de barro ... cheio de sabor. Muito bom!
As porções são generosas e as meias doses chegam perfeitamente para um comensal ávido de alimento. Todo o repasto foi acompanhado pelo tinto da casa, da zona de Aveiras. Frutado e fácil, mostrou corpo e taninos suficientes para aguentar ambos os pratos, tarefa não propriamente fácil. Aprovado, portanto.
Apesar de saciados, houve ainda espaço para adoçar a boca e a escolha foi para uma especialidade da casa, uma delícia de natas e Oreo ... sim, as Oreo do anuncio "separa, lambe, molha e come". Uma sobremesa simples e quase infantil, mas cuja frescura finalizou em grande o fight ... keep it simple!!!

A conta ficou pelos 11€/pax, um valor muito em conta para o que é oferecido.
Repeteco? sem dúvida que sim! O Motorista passa a figurar no roteiro da região.

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Sunday, 29 May 2016

Petiscada noturna no Barreiro

A casa é já uma velha conhecida e ponto de passagem obrigatório para uma bela caracolada, quando a época do bicho inicia. Vamos até ao Barreiro petiscar.


choco frito
pica pau de porco
Nome: Dez Reis
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Barreiro
Comentário: o mês de Maio é sempre aguardado com alguma expectativa. Perguntarão os mais devotos se estará relacionado com o facto de ser o mês de Maria, mas temo que não seja por algo tão elevado! É mesmo porque é quando arranca a época do caracol e manda a regra que se teste o pitéu logo no inicio da temporada para confirmar se o Inverno foi de feição para a criação do famoso molusco gastrópode. Odiado a norte e amado a sul, o caracol é petisco comum em tascas, cafés e restaurantes um pouco por todo o lado. Por motivo de andanças pela margem sul, quis o destino que calhasse ao Dez Reis receber o vosso narrador para uma petiscada. A sala é ampla e espaçosa e o staff simpático e letrado na arte do bem receber, rapidamente nos instalam e nos confrontam com um prato do belo molusco. Bom tamanho, picante q.b, com um molho cheio de sabor, chega a ser viciante e só conseguimos parar quando na travessa já só repousava molho. Acompanhou com as clássicas torradas com manteiga. Finda a primeira dose, o caminho evidente seria um repeteco, mas a decisão foi avançar para outras especialidades da casa e foi sobre uma dose de choco frito que a escolha recaiu. Estaladiço, notoriamente fresco e acabado de fritar serviu para matar saudades e lembrar que Setúbal é já ali. As doses são generosas e o estômago começava a dar sinais de estar saciado. Fomos portanto obrigados a tomar uma decisão de gestão que iria afetar o restante percurso do fight: finalizar com uma sobremesa ou avançar sobre mais um pestisco? Pestisco foi a escolha unânime e depois de "marisco" e "peixe" um prato de carne seria a decisão adequada. Seguimos a sugestão do simpático empregado e escolhemos um pica pau de porco com ovo. Finas aparas de fêveras de porco misturadas com ovo estrelado que acabou por cozinhar com o calor do próprio prato compunham este prato que acabou, em minha opinião, por ser a estrela da noite. Simplesmente delicioso. Servido com batatas fritas, estaladiças e visivelmente acabadas de fritar.
Todo o fight foi acompanhado por cerveja(s) fresca. Há um branco da casa, também ele muito bom e que serviu para fights passados, pelo que se está o leitor a planear uma visita à casa deixo a dica que o  poderá escolher sem qualquer tipo de receio.
Fechadas as hostes, veio a conta que rondou os 20€/pax. Claro que irá sempre variar conforme o que se comer e principalmente do que se beber, mas pelos preços dos vários pratos, dificilmente ultrapassará esta grandeza de valores. É um valor perfeitamente justo e adequado para a qualidade e generosidade das doses.
Nota informativa de alto valor: a casa está aberta até ás 2am! É o tipo de informação que é de elevada importância deter.
Repeteco? Já foi ... mais do que uma vez.

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Sunday, 22 May 2016

Com vista sobre o Oeste

A exposição de motos, Exposalão, é um dos dias mais aguardados pelos amantes das duas rodas, não tanto pela exposição em si, mas sim por ser uma oportunidade de rumar à bela Batalha, com o seu imponente Mosteiro, património da Humanidade e em vias de ser considerado monumento panteão. Se a isto juntarmos uma boa almoçarada, coisa fácil de acontecer na região, temos receita para um dia diferente e entusiasmante.Vamos ao Oeste.






Nome: Tasca do Rogério
Data da visita: Abril de 2016
Localização: Cortes, Leiria
Comentário: já acima foi detalhado que o destino do dia era a Batalha. Spots para comer não faltam, e até sei que os há com qualidade, mas a simples vista de ementas em inglês, francês e alemão um pouco por todo lado a juntar a uma imensidão de turistas, cor de lagosta, passeando pela vila, despoletou uma intensa necessidade de sair desse registo e buscar um spot onde fosse possivel desfrutar de honesta e típica comida portuguesa. Sabiamos que a cerca de 10kms, num lugarejo para os lados de Cortes, existia um tasca típica de nome a Tasca do Rogério que dispunha de uma esplanada com vista espetacular onde se operava com mestria a grelha e o carvão. O sítio é mesmo de dificil acesso. Se com GPS não é facil, sem recurso a esta tecnologia arrisco dizer ser mesmo impossível a quem não seja da terra, encontrar a casa. Depois de percorridos quelhos e caminhos da aldeia de Abadia, em Cortes, chegamos à tasca, uma casa praticamente descaracterizada com um pequeno estacionamento na frente, lado a uma pequena esplanada coberta, com uma vista deslumbrante para uma paisagem com influências mediterrânicas e atlanticas, tão típica da região do Oeste.
Vista da esplanada
Quis a metereologia e a ocupação da casa que tivessemos o privilégio de ficarmos instalados no exterior. Por sugestão do próprio Sr. Rogério, fomos num misto de carnes grelhadas, de porco e vaca. Enquanto aguardavamos pelo misto, fomos matando a fome com uma tiras de barriga de porco e uma murcela de sangue grelhada, que estava simplesmente divinal com um bom sabor a cominhos. A fama não é portanto infundada! Em pouco tempo estavamos frente a frente com o dito misto, sobre o qual apenas coisas boas há a dizer: carnes de qualidades, bem grelhadas, sem estarem demasiado secas e com bom sabor. Todo o festim de carnes foi acompanhado com o tinto da casa, servido em caneca de barro, da zona do Cartaxo. Aromático, com estrutura q.b. para aguentar o petisco. Findo o misto, houve ainda vontade (o espaço já nao era assim muito) para um bis de murcela ... aquele perfume a cominhos, a isso obrigou. De novo, fantástico! 
A generosidade das doses e o refill de murcela permitiam que se desse por completo o fight, mas o espaço e o bem que fazia sentir, forçaram a ida à sobremesa. As opções não são imensas, e andam à volta de doçaria tradicional. Coube à delicia de chocolate (aka mousse de cocolate) a finalização. Fresca e evidentemente caseira, fechou com chave de ouro o evento. Um licor beirão com gelo, rematou e fez avançar para o pedido da conta. O momento da conta, seguiu a linha da informalidade que caracterizou todo o fight ... o Sr. Rogério, com uma rápidas contas de cabeça fez um valor de 15€/pax. Um valor mais do justo para o momento que tinhamos vivênciado em su casa.
Repeteco? Não sei quando voltarei a Abadia, Cortes em Leiria, mas quando o fizer voltarei à Tasca do Rogério, seguramente! Lambetacho approved!


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Saturday, 14 May 2016

Escondidinho em Alfena

Teve já o leitor/comensal, em algum momento uma necessidade de regressar ás bases e tirar prazer dos simples e honestos sabores da verdadeira cozinha portuguesa? Acredito que sim! Pois bem, este spot é dedicado a si. Prepare o GPS e rume à bela <ironic>Alfena</ironic>.








Nome: Tasca do Zé
Data da visita: Abril de 2016
Localização: Alfena ... em bom rigor aquilo é Folgosa, Maia. Porém é mais Alfena do que Folgosa
Comentário: conhece aquele tipo de casas que não são amplamente conhecidas pelo público em geral, mas que a malta mais letrada nestas andanças do tacho conhecem perfeitamente? Pois bem, a Tasca do Zé é um desses exemplos. Localizado numa recôndito quelho da zona da Travagem, para os lados de Alfena, de estacionamento difícil e com uma entrada discreta, a chegada ao spot não deixa antever a petiscada que aí vem. Com uma decoração rustica de parede em pedra, imediatamente somos envolvidos por uma sensação acolhedora que se mantém com o atendimento simpático e atencioso do staff. A parede da fama, com fotos de alguns ilustres convidados logo à entrada, permite tranquilizar os mais apreensivos ... porque será que fotos de famosos nas paredes dos restaurantes,  transmitem uma noção de qualidade a uma casa? Adiante. Instalados, enquanto perscutamos a ementa, vamos degustando uns rissois e pataniscas, notoriamente acabadas de fritar. Muito boas e que trazem mais uma leva de confiança para o resto do fight.
A ementa é diversa e conta com referências de carne e de peixe. Há pratos a pedido e um conjunto de pratos do dia, onde recaiu a escolha, concretamente para o coelho assado.
Em curto espaço de tempo somos servidos e estamos em condições de iniciar a degustação. O coelho vinha servido em travessa de barro que transmitia uma sensação reforçada de comida caseira, sensação essa que se manteve quando a primeira garfada foi à boca. Sabia mesmo a comida de forno, cheia de força e sabor. Batatas assadas e legumes salteados acompanhavam o carne. Os legumes estavam bem temperados com vinagre, um sabor pouco consensual mas que cai nas minhas preferências. A dose essa é bem servida e seguramente suficiente, mesmo para o comensal mais capacitado. Coube a uma caneca de 0.37cl do tinto da casa, a tarefa de casar com este prato, com familiaridades de caça, que cumpriu na perfeição e sem dificuldades. Infelizmente, não me foi possível saber mais sobre a ficha do néctar, nomeadamente a sua origem, mas fosse de onde fosse era aromático e com bons taninos, pelo que em visita futura poderá servir de escolha sem qualquer tipo de constrangimentos ou receios.
Chegada a altura de adoçar a boca, o mero avistamento de cheesecake fez com que a escolha fosse fácil e imediata. Estava bom. O creme de queijo era macio e casava bem com a compota de morango, muito equilibrado no doce. Não é o melhor cheesecake do mundo, mas cumpriu de forma muito honrosa o fecho do fight.
A dolorosa ficou na casa dos 11€/pax, um valor muito em conta para a qualidade da comida e para o espaço em si. Tenha em mente, que é um valor para prato do dia. Num jantar à carta, o valor será superior, mas pelos valores apresentados na carta, não acrescerão muito mais. É portanto um valor muito seguro e que faz deste spot uma referência da zona.
Repeteco? Claramente. Faz parte das escolhas obvias para a zona. À quinta-feira, o prato do dia é o cozido à portuguesa, um prato muito afamado da casa e que temo que seja a motivação para o próximo repeteco.

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Saturday, 7 May 2016

Marisco e francesinha na Invicta

Todos com certeza retêm na sua memória spots que conhecem praticamente desde sempre, e por alguma circunstância, tantas vezes passaram à porta e nunca tiverem a oportunidade de conhecer. Pois bem, este proximo fight é precisamente uma dessas histórias.



Nome: Marisqueira Gambamar
Data da visita: Abril de 2016
Localização: zona do Campo Alegre, Porto
Comentário: a visita ao Gambamar, reconheço, foi uma questão de oportunidade resultante de um convite para visitar o local. A casa é um local histórico da cidade, com algumas décadas de funcionamento e existe numa rua que alberga alguns dos mais icónicos spots da Invicta, como por exemplo o mítico Capa Negra. Se a sua história é longa, o seu percurso nem sempre foi homogéneo. A atual gerência, que assumiu os controlos da casa desde 1995, renovou a imagem e conceito da casa e hoje o Gambamar é um espaço moderno, amplo que se soube renovar e adaptar a esta nova forma de praticar gastronomia, numa cidade cada vez mais cosmopolita e exigente. Por outro lado, consegue manter aquele look & feel de marisqueira de cidade, com lugares ao balcão, horários estendidos e cerveja fresca sempre disponível. Chegados ao local e viatura estacionada no parque privativo da casa (aspecto muito importante, pois a zona da cidade em causa é de estacionamento entre o muito dificil e o impossível), entramos e fomos imediatamente instalados, por um staff muito simpático e eficiente. O menú estava pré-definido e iria ser o chamado "Experiência Gambamar", onde seria  dada a conhecer a sapateira recheada e a francesinha.
A sapateira era fresca, cheia de sabor e o seu recheio, acompanhado por uma tostas barradas com manteiga estava (muito) bem confecionado. Algumas gambas de bom calibre, populavam o prato, e também essas eram de frescura evidente e com bom sabor a mar. Casamos a sapateira com uma 0.75cl da cerveja artesenal de produção própria, com marca Marota. A Marota, foi servida bem fresca em flutes, onde pudemos apreciar a estrutura, complexidade e os fortes aromas a cereais que tipicamente não conseguimos detetar nas cervejas de fabrico industrial.
Quando no prato da sapateira repousavam apenas as cascas, foi o momento de passar à francesinha. Já o disse no passado que discutir francesinha é das conversas mais inconsensuais que poderemos ter ... o que para uns é bom, para outros é mediano e definir qual a melhor é simplesmente impossível. Por isso, o que aqui irão encontrar é a mera opinião deste vosso contador de histórias ... gostei bastante da francesinha do Gambamar. De dimensões q.b, a qualidade dos ingredientes era mais do que evidente, tanto ao nível do bife como da salsicha fresca que foi usada ... o molho esse, era consistente, pouco picante e com um bom travo a tomate. Quero com isto dizer que gostei bastante da experiência. As batatas foram fritas na hora e estavam fantásticas. Não coloco no meu top 3, mas são mais do que o suficiente para recomendar uma visita. Para acompanhar a francesinha, senti a obrigação moral de provar o vinho espumante, também ele de produção própria, com a marca 1995 (ano que a nova gerência assumiu os destinos da casa) e com origens em vinhedos de Celorico de Basto, distrito de Braga, zona de excelência de vinhos verdes. Muito aromático, com bolha fina e boa estrutura casou na perfeição com o pitéu portuense, apesar de não ser uma combinação usual ... arrisco mesmo dizer que nunca tal o tinha feito. Confirmo portanto que espumante e francesinha fazem boa maridagem.
Depois de uma sapateira e uma francesinha, pouco ou nenhum espaço havia para sobremesas, pelo que saltamos diretamente para o café e como tal, review sobre os finalmentes, terá de ficar para um repeteco.
Relativamente, ao preço, como desta vez fui um convidado não tive perceção direta do mesmo, mas por analise da carta, e obviamente muito dependente do que escolher para comer e principalmente para beber, acredito que se consiga fazer uma tainada de marisco por valores a rondar os 30€/pax. Aliás, ficou decido logo no próprio dia que iria haver um repeteco e a escolha iria cair sobre o rodízio de marisco, anunciado por um valor de 15€/pax. Um valor fantástico para a casa em questão.
Repeteco? Já disse que sim e vai ser com o rodízio de marisco! tic-tac, está a contar ...

Gambamar - Marisqueira e Cervejaria Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

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Monday, 2 May 2016

Por entre o rio e os vinhedos

A pouco mais de uma hora de carro da naçon azul a branca, encontramos um local mágico onde o Douro, o rio, serpenteia por vales e encostas cobertas de vinhedos de onde saem alguns dos mais espetaculares e icónicos nectáres que povoam as nossas mesas. O lugar vale bem a viagem, seja pela paisagem, pelos vinhos e claro ... a gastronomia. Os fãs das quatro ou das duas rodas, podem inclusivé aproveitar para disfrutar da mítica N-222 eleita a melhor estrada do mundo para desfrutar  a condução. Recomendo claro que o façam antes do almoço ...
vista sobre o Douro e os vinhedos
tábua de presunto, salpicão e queijo
canja de vitela




Nome: Adega Típica a Tarraxa
Data da visita: Abril de 2016
Localização: Sendim, Tabuaço
Comentário: a visita à Tarraxa era algo há muito já prometido. Sendim, é um vilarejo no concelho de Tabuaço, a meio caminho entre o Douro vinhateiro e a região de Tavora-Varosa, conhecida pelos seus vinhos espumantes. Adega típica é 100% apropriado para descrever a Tarraxa. Típica casa rural, logo à entrada o proprietário expõe para venda produtos como frutas frescas, frutas secas e azeite, tudo de sua produção. Diretamente da terra para a mesa, pelo que mais natural e biológico será certamente dificil. O interior tem uma decoração tipicamente rústica, com madeiras de pipos e utensílios agricolas, a fazer-nos lembrar que estamos no campo. Desengane-se no entanto o comensal se pensa que o spot é apenas frequentado por locais e que há sempre mesas disponíveis ... é frequente o espaço encher, pelo que reserva é aconselhável, mesmo em dias de semana. O staff composto pelo proprietário e a sua familia emanam simpatia e arte de bem receber. 
Na Tarraxa todo o fight começa com uma tábua de presunto, salpicão, queijo e pão saloio. Escusado será dizer que tudo é delicioso, incluindo o pão, fresco e fofo. Para acompanhar a tábua, uma garrafa do tinto da casa,um portento da zona de São João da Pesqueira, cheio de fruta e bons taninos para domar a gordura dos enchidos. Nesta casa não há propriamente uma carta ... há um roteiro mais ou menos definido, ao qual basta ao comensal deixar-se levar. As hostes foram iniciadas com uma canja de vitela, com grão de bico. Sim, canja de vitela. Caseira, deliciosa, forra o estômago para o que se avizinha. A especialidade da Tarraxa são as carnes na grelha, de produção caseira...sim, correto, o proprietário cria os próprios porcos e vacas, que foram usados num misto de vitela e costeletas de porco bízaro. Arrisco dizer que não tenho memória de carne de vaca tão tenra e saborosa. Divinal. Até a costeleta do porco, superou todas e quaisquer expectativas ... nada seca, estava grelhada na perfeição. O festim de carne acompanhou com um arroz de feijão, que à falta de melhor palavra, simplesmente digo ... divinal! Cozido no ponto, de calda grossa partilhou o protagonismo com o misto de carnes. As doses são muito generosas com o staff  questionado amiúde se um refill era necessário, fosse de carne ou do arroz. É só pedir ... ou melhor, não recusar. Todo o percurso foi feito com o dito portento de São João da Pesqueira que se mostrou adequado durante todo o fight, começando inclusivé a abrir, com aromas florais, a lembrar a muito nossa Touriga Nacional ... 
Para sobremesa, há alguma oferta, à base de doçaria típica caseira, sendo que a escolha foi para a compota de abóbora caseira com requeijão. Sem supresa, estava simplesmente fantástica!
A maior supresa estava reservada para o final, concretamente na conta, quando somos presenteados com um valor de 12.50€/pax, um valor fixo por pessoa, independentemente do numero de refills de comida e vinho!!! Muito em conta, para a qualidade e quantidade que é servida. Um achado!
Repeteco? Claramente! Em futuras visitas ao Douro, a Tarraxa estará no roteiro! Recomendo, recomendo, recomendo.


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