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Sunday, 29 May 2016

Petiscada noturna no Barreiro

A casa é já uma velha conhecida e ponto de passagem obrigatório para uma bela caracolada, quando a época do bicho inicia. Vamos até ao Barreiro petiscar.


choco frito
pica pau de porco
Nome: Dez Reis
Data da visita: Maio de 2016
Localização: Barreiro
Comentário: o mês de Maio é sempre aguardado com alguma expectativa. Perguntarão os mais devotos se estará relacionado com o facto de ser o mês de Maria, mas temo que não seja por algo tão elevado! É mesmo porque é quando arranca a época do caracol e manda a regra que se teste o pitéu logo no inicio da temporada para confirmar se o Inverno foi de feição para a criação do famoso molusco gastrópode. Odiado a norte e amado a sul, o caracol é petisco comum em tascas, cafés e restaurantes um pouco por todo o lado. Por motivo de andanças pela margem sul, quis o destino que calhasse ao Dez Reis receber o vosso narrador para uma petiscada. A sala é ampla e espaçosa e o staff simpático e letrado na arte do bem receber, rapidamente nos instalam e nos confrontam com um prato do belo molusco. Bom tamanho, picante q.b, com um molho cheio de sabor, chega a ser viciante e só conseguimos parar quando na travessa já só repousava molho. Acompanhou com as clássicas torradas com manteiga. Finda a primeira dose, o caminho evidente seria um repeteco, mas a decisão foi avançar para outras especialidades da casa e foi sobre uma dose de choco frito que a escolha recaiu. Estaladiço, notoriamente fresco e acabado de fritar serviu para matar saudades e lembrar que Setúbal é já ali. As doses são generosas e o estômago começava a dar sinais de estar saciado. Fomos portanto obrigados a tomar uma decisão de gestão que iria afetar o restante percurso do fight: finalizar com uma sobremesa ou avançar sobre mais um pestisco? Pestisco foi a escolha unânime e depois de "marisco" e "peixe" um prato de carne seria a decisão adequada. Seguimos a sugestão do simpático empregado e escolhemos um pica pau de porco com ovo. Finas aparas de fêveras de porco misturadas com ovo estrelado que acabou por cozinhar com o calor do próprio prato compunham este prato que acabou, em minha opinião, por ser a estrela da noite. Simplesmente delicioso. Servido com batatas fritas, estaladiças e visivelmente acabadas de fritar.
Todo o fight foi acompanhado por cerveja(s) fresca. Há um branco da casa, também ele muito bom e que serviu para fights passados, pelo que se está o leitor a planear uma visita à casa deixo a dica que o  poderá escolher sem qualquer tipo de receio.
Fechadas as hostes, veio a conta que rondou os 20€/pax. Claro que irá sempre variar conforme o que se comer e principalmente do que se beber, mas pelos preços dos vários pratos, dificilmente ultrapassará esta grandeza de valores. É um valor perfeitamente justo e adequado para a qualidade e generosidade das doses.
Nota informativa de alto valor: a casa está aberta até ás 2am! É o tipo de informação que é de elevada importância deter.
Repeteco? Já foi ... mais do que uma vez.

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Sunday, 22 May 2016

Com vista sobre o Oeste

A exposição de motos, Exposalão, é um dos dias mais aguardados pelos amantes das duas rodas, não tanto pela exposição em si, mas sim por ser uma oportunidade de rumar à bela Batalha, com o seu imponente Mosteiro, património da Humanidade e em vias de ser considerado monumento panteão. Se a isto juntarmos uma boa almoçarada, coisa fácil de acontecer na região, temos receita para um dia diferente e entusiasmante.Vamos ao Oeste.






Nome: Tasca do Rogério
Data da visita: Abril de 2016
Localização: Cortes, Leiria
Comentário: já acima foi detalhado que o destino do dia era a Batalha. Spots para comer não faltam, e até sei que os há com qualidade, mas a simples vista de ementas em inglês, francês e alemão um pouco por todo lado a juntar a uma imensidão de turistas, cor de lagosta, passeando pela vila, despoletou uma intensa necessidade de sair desse registo e buscar um spot onde fosse possivel desfrutar de honesta e típica comida portuguesa. Sabiamos que a cerca de 10kms, num lugarejo para os lados de Cortes, existia um tasca típica de nome a Tasca do Rogério que dispunha de uma esplanada com vista espetacular onde se operava com mestria a grelha e o carvão. O sítio é mesmo de dificil acesso. Se com GPS não é facil, sem recurso a esta tecnologia arrisco dizer ser mesmo impossível a quem não seja da terra, encontrar a casa. Depois de percorridos quelhos e caminhos da aldeia de Abadia, em Cortes, chegamos à tasca, uma casa praticamente descaracterizada com um pequeno estacionamento na frente, lado a uma pequena esplanada coberta, com uma vista deslumbrante para uma paisagem com influências mediterrânicas e atlanticas, tão típica da região do Oeste.
Vista da esplanada
Quis a metereologia e a ocupação da casa que tivessemos o privilégio de ficarmos instalados no exterior. Por sugestão do próprio Sr. Rogério, fomos num misto de carnes grelhadas, de porco e vaca. Enquanto aguardavamos pelo misto, fomos matando a fome com uma tiras de barriga de porco e uma murcela de sangue grelhada, que estava simplesmente divinal com um bom sabor a cominhos. A fama não é portanto infundada! Em pouco tempo estavamos frente a frente com o dito misto, sobre o qual apenas coisas boas há a dizer: carnes de qualidades, bem grelhadas, sem estarem demasiado secas e com bom sabor. Todo o festim de carnes foi acompanhado com o tinto da casa, servido em caneca de barro, da zona do Cartaxo. Aromático, com estrutura q.b. para aguentar o petisco. Findo o misto, houve ainda vontade (o espaço já nao era assim muito) para um bis de murcela ... aquele perfume a cominhos, a isso obrigou. De novo, fantástico! 
A generosidade das doses e o refill de murcela permitiam que se desse por completo o fight, mas o espaço e o bem que fazia sentir, forçaram a ida à sobremesa. As opções não são imensas, e andam à volta de doçaria tradicional. Coube à delicia de chocolate (aka mousse de cocolate) a finalização. Fresca e evidentemente caseira, fechou com chave de ouro o evento. Um licor beirão com gelo, rematou e fez avançar para o pedido da conta. O momento da conta, seguiu a linha da informalidade que caracterizou todo o fight ... o Sr. Rogério, com uma rápidas contas de cabeça fez um valor de 15€/pax. Um valor mais do justo para o momento que tinhamos vivênciado em su casa.
Repeteco? Não sei quando voltarei a Abadia, Cortes em Leiria, mas quando o fizer voltarei à Tasca do Rogério, seguramente! Lambetacho approved!


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Saturday, 14 May 2016

Escondidinho em Alfena

Teve já o leitor/comensal, em algum momento uma necessidade de regressar ás bases e tirar prazer dos simples e honestos sabores da verdadeira cozinha portuguesa? Acredito que sim! Pois bem, este spot é dedicado a si. Prepare o GPS e rume à bela <ironic>Alfena</ironic>.








Nome: Tasca do Zé
Data da visita: Abril de 2016
Localização: Alfena ... em bom rigor aquilo é Folgosa, Maia. Porém é mais Alfena do que Folgosa
Comentário: conhece aquele tipo de casas que não são amplamente conhecidas pelo público em geral, mas que a malta mais letrada nestas andanças do tacho conhecem perfeitamente? Pois bem, a Tasca do Zé é um desses exemplos. Localizado numa recôndito quelho da zona da Travagem, para os lados de Alfena, de estacionamento difícil e com uma entrada discreta, a chegada ao spot não deixa antever a petiscada que aí vem. Com uma decoração rustica de parede em pedra, imediatamente somos envolvidos por uma sensação acolhedora que se mantém com o atendimento simpático e atencioso do staff. A parede da fama, com fotos de alguns ilustres convidados logo à entrada, permite tranquilizar os mais apreensivos ... porque será que fotos de famosos nas paredes dos restaurantes,  transmitem uma noção de qualidade a uma casa? Adiante. Instalados, enquanto perscutamos a ementa, vamos degustando uns rissois e pataniscas, notoriamente acabadas de fritar. Muito boas e que trazem mais uma leva de confiança para o resto do fight.
A ementa é diversa e conta com referências de carne e de peixe. Há pratos a pedido e um conjunto de pratos do dia, onde recaiu a escolha, concretamente para o coelho assado.
Em curto espaço de tempo somos servidos e estamos em condições de iniciar a degustação. O coelho vinha servido em travessa de barro que transmitia uma sensação reforçada de comida caseira, sensação essa que se manteve quando a primeira garfada foi à boca. Sabia mesmo a comida de forno, cheia de força e sabor. Batatas assadas e legumes salteados acompanhavam o carne. Os legumes estavam bem temperados com vinagre, um sabor pouco consensual mas que cai nas minhas preferências. A dose essa é bem servida e seguramente suficiente, mesmo para o comensal mais capacitado. Coube a uma caneca de 0.37cl do tinto da casa, a tarefa de casar com este prato, com familiaridades de caça, que cumpriu na perfeição e sem dificuldades. Infelizmente, não me foi possível saber mais sobre a ficha do néctar, nomeadamente a sua origem, mas fosse de onde fosse era aromático e com bons taninos, pelo que em visita futura poderá servir de escolha sem qualquer tipo de constrangimentos ou receios.
Chegada a altura de adoçar a boca, o mero avistamento de cheesecake fez com que a escolha fosse fácil e imediata. Estava bom. O creme de queijo era macio e casava bem com a compota de morango, muito equilibrado no doce. Não é o melhor cheesecake do mundo, mas cumpriu de forma muito honrosa o fecho do fight.
A dolorosa ficou na casa dos 11€/pax, um valor muito em conta para a qualidade da comida e para o espaço em si. Tenha em mente, que é um valor para prato do dia. Num jantar à carta, o valor será superior, mas pelos valores apresentados na carta, não acrescerão muito mais. É portanto um valor muito seguro e que faz deste spot uma referência da zona.
Repeteco? Claramente. Faz parte das escolhas obvias para a zona. À quinta-feira, o prato do dia é o cozido à portuguesa, um prato muito afamado da casa e que temo que seja a motivação para o próximo repeteco.

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Saturday, 7 May 2016

Marisco e francesinha na Invicta

Todos com certeza retêm na sua memória spots que conhecem praticamente desde sempre, e por alguma circunstância, tantas vezes passaram à porta e nunca tiverem a oportunidade de conhecer. Pois bem, este proximo fight é precisamente uma dessas histórias.



Nome: Marisqueira Gambamar
Data da visita: Abril de 2016
Localização: zona do Campo Alegre, Porto
Comentário: a visita ao Gambamar, reconheço, foi uma questão de oportunidade resultante de um convite para visitar o local. A casa é um local histórico da cidade, com algumas décadas de funcionamento e existe numa rua que alberga alguns dos mais icónicos spots da Invicta, como por exemplo o mítico Capa Negra. Se a sua história é longa, o seu percurso nem sempre foi homogéneo. A atual gerência, que assumiu os controlos da casa desde 1995, renovou a imagem e conceito da casa e hoje o Gambamar é um espaço moderno, amplo que se soube renovar e adaptar a esta nova forma de praticar gastronomia, numa cidade cada vez mais cosmopolita e exigente. Por outro lado, consegue manter aquele look & feel de marisqueira de cidade, com lugares ao balcão, horários estendidos e cerveja fresca sempre disponível. Chegados ao local e viatura estacionada no parque privativo da casa (aspecto muito importante, pois a zona da cidade em causa é de estacionamento entre o muito dificil e o impossível), entramos e fomos imediatamente instalados, por um staff muito simpático e eficiente. O menú estava pré-definido e iria ser o chamado "Experiência Gambamar", onde seria  dada a conhecer a sapateira recheada e a francesinha.
A sapateira era fresca, cheia de sabor e o seu recheio, acompanhado por uma tostas barradas com manteiga estava (muito) bem confecionado. Algumas gambas de bom calibre, populavam o prato, e também essas eram de frescura evidente e com bom sabor a mar. Casamos a sapateira com uma 0.75cl da cerveja artesenal de produção própria, com marca Marota. A Marota, foi servida bem fresca em flutes, onde pudemos apreciar a estrutura, complexidade e os fortes aromas a cereais que tipicamente não conseguimos detetar nas cervejas de fabrico industrial.
Quando no prato da sapateira repousavam apenas as cascas, foi o momento de passar à francesinha. Já o disse no passado que discutir francesinha é das conversas mais inconsensuais que poderemos ter ... o que para uns é bom, para outros é mediano e definir qual a melhor é simplesmente impossível. Por isso, o que aqui irão encontrar é a mera opinião deste vosso contador de histórias ... gostei bastante da francesinha do Gambamar. De dimensões q.b, a qualidade dos ingredientes era mais do que evidente, tanto ao nível do bife como da salsicha fresca que foi usada ... o molho esse, era consistente, pouco picante e com um bom travo a tomate. Quero com isto dizer que gostei bastante da experiência. As batatas foram fritas na hora e estavam fantásticas. Não coloco no meu top 3, mas são mais do que o suficiente para recomendar uma visita. Para acompanhar a francesinha, senti a obrigação moral de provar o vinho espumante, também ele de produção própria, com a marca 1995 (ano que a nova gerência assumiu os destinos da casa) e com origens em vinhedos de Celorico de Basto, distrito de Braga, zona de excelência de vinhos verdes. Muito aromático, com bolha fina e boa estrutura casou na perfeição com o pitéu portuense, apesar de não ser uma combinação usual ... arrisco mesmo dizer que nunca tal o tinha feito. Confirmo portanto que espumante e francesinha fazem boa maridagem.
Depois de uma sapateira e uma francesinha, pouco ou nenhum espaço havia para sobremesas, pelo que saltamos diretamente para o café e como tal, review sobre os finalmentes, terá de ficar para um repeteco.
Relativamente, ao preço, como desta vez fui um convidado não tive perceção direta do mesmo, mas por analise da carta, e obviamente muito dependente do que escolher para comer e principalmente para beber, acredito que se consiga fazer uma tainada de marisco por valores a rondar os 30€/pax. Aliás, ficou decido logo no próprio dia que iria haver um repeteco e a escolha iria cair sobre o rodízio de marisco, anunciado por um valor de 15€/pax. Um valor fantástico para a casa em questão.
Repeteco? Já disse que sim e vai ser com o rodízio de marisco! tic-tac, está a contar ...

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Monday, 2 May 2016

Por entre o rio e os vinhedos

A pouco mais de uma hora de carro da naçon azul a branca, encontramos um local mágico onde o Douro, o rio, serpenteia por vales e encostas cobertas de vinhedos de onde saem alguns dos mais espetaculares e icónicos nectáres que povoam as nossas mesas. O lugar vale bem a viagem, seja pela paisagem, pelos vinhos e claro ... a gastronomia. Os fãs das quatro ou das duas rodas, podem inclusivé aproveitar para disfrutar da mítica N-222 eleita a melhor estrada do mundo para desfrutar  a condução. Recomendo claro que o façam antes do almoço ...
vista sobre o Douro e os vinhedos
tábua de presunto, salpicão e queijo
canja de vitela




Nome: Adega Típica a Tarraxa
Data da visita: Abril de 2016
Localização: Sendim, Tabuaço
Comentário: a visita à Tarraxa era algo há muito já prometido. Sendim, é um vilarejo no concelho de Tabuaço, a meio caminho entre o Douro vinhateiro e a região de Tavora-Varosa, conhecida pelos seus vinhos espumantes. Adega típica é 100% apropriado para descrever a Tarraxa. Típica casa rural, logo à entrada o proprietário expõe para venda produtos como frutas frescas, frutas secas e azeite, tudo de sua produção. Diretamente da terra para a mesa, pelo que mais natural e biológico será certamente dificil. O interior tem uma decoração tipicamente rústica, com madeiras de pipos e utensílios agricolas, a fazer-nos lembrar que estamos no campo. Desengane-se no entanto o comensal se pensa que o spot é apenas frequentado por locais e que há sempre mesas disponíveis ... é frequente o espaço encher, pelo que reserva é aconselhável, mesmo em dias de semana. O staff composto pelo proprietário e a sua familia emanam simpatia e arte de bem receber. 
Na Tarraxa todo o fight começa com uma tábua de presunto, salpicão, queijo e pão saloio. Escusado será dizer que tudo é delicioso, incluindo o pão, fresco e fofo. Para acompanhar a tábua, uma garrafa do tinto da casa,um portento da zona de São João da Pesqueira, cheio de fruta e bons taninos para domar a gordura dos enchidos. Nesta casa não há propriamente uma carta ... há um roteiro mais ou menos definido, ao qual basta ao comensal deixar-se levar. As hostes foram iniciadas com uma canja de vitela, com grão de bico. Sim, canja de vitela. Caseira, deliciosa, forra o estômago para o que se avizinha. A especialidade da Tarraxa são as carnes na grelha, de produção caseira...sim, correto, o proprietário cria os próprios porcos e vacas, que foram usados num misto de vitela e costeletas de porco bízaro. Arrisco dizer que não tenho memória de carne de vaca tão tenra e saborosa. Divinal. Até a costeleta do porco, superou todas e quaisquer expectativas ... nada seca, estava grelhada na perfeição. O festim de carne acompanhou com um arroz de feijão, que à falta de melhor palavra, simplesmente digo ... divinal! Cozido no ponto, de calda grossa partilhou o protagonismo com o misto de carnes. As doses são muito generosas com o staff  questionado amiúde se um refill era necessário, fosse de carne ou do arroz. É só pedir ... ou melhor, não recusar. Todo o percurso foi feito com o dito portento de São João da Pesqueira que se mostrou adequado durante todo o fight, começando inclusivé a abrir, com aromas florais, a lembrar a muito nossa Touriga Nacional ... 
Para sobremesa, há alguma oferta, à base de doçaria típica caseira, sendo que a escolha foi para a compota de abóbora caseira com requeijão. Sem supresa, estava simplesmente fantástica!
A maior supresa estava reservada para o final, concretamente na conta, quando somos presenteados com um valor de 12.50€/pax, um valor fixo por pessoa, independentemente do numero de refills de comida e vinho!!! Muito em conta, para a qualidade e quantidade que é servida. Um achado!
Repeteco? Claramente! Em futuras visitas ao Douro, a Tarraxa estará no roteiro! Recomendo, recomendo, recomendo.


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Saturday, 23 April 2016

Toiros e gastronomia

Outrora apelidada de "deserto", a zona oriental da margem sul tem uma identidade muito propria. Custa por vezes acreditar que uns simples 17kms de betão e alcatrão, separam a vibrante e luminosa cidade capital da pacata Montijo, das casas térreas e brancas e extensos campos. Vamos mais uma vez até à Lisbon South bay,....east side (!)





Nome: Casa das Enguias
Data da visita: Março 2016
Localização: Sarilhos Grandes, Montijo
Comentário: a Casa das Enguias, é para mim, uma dos mais carismáticos spots de toda a zona. Típica casa de beira de estrada nacional, a decoração é dominada pela temática tauromática, como aliás é muito comum por estas bandas. A sala é espaçosa com a mesas dispostas de forma a permitir receber um numero elevado de comensais, que fazem com que a casa esteja constantemente perto da sua lotação máxima, seja aos almoços à semana ou ao jantar em finais de semana. O staff  esse, é eficiente e simpático e em menos de nada, somos confrontados com um prato de finas fatias de presunto de porco preto com pão regional, fantástico btw, enquando perscrutamos a ementa. Essa é diversificada tanto em ofertas de peixe como de carne. Como o nome indica a especialidade da casa são as enguias, servidas em ensopado ou fritas. Não neste fight, mas noutros passados, provei as enguias fritas como entrada e gostei, reconhecendo porém que não é um prato consensual, e que muitos recusam sequer provar, muito devido as aspeto do bicho. Se o leitor é dos que não se deixa afetar por isso ou se é mesmo um apreciador do pitéu, então a Casa das Enguias é ponto de paragem obrigatório para degustar este peixe. Já conheço esta casa há algum tempo e é seguro afirmar que tudo é bom, desde o bacalhau cozido com grão, ao cozido à portuguesa e os famosos bifinhos de porco preto com batatas "à maricas" ... fica já o pedido de desculpas à comunidade LGBT, mas é esse o nome que dão à forma de servir as batatas, que são fritas e envoltas em ovo estrelado. Mas este era dia para outro pitéu, também ele um habitual da carta da casa: choco frito com arroz de berbigão, a lembrar que Montijo é distrito de Setúbal. A dose é generosa e o choco de excelente qualidade é frito na hora servido estaladiço e rijinho. O arroz, é na minha opinião um caso de policia, de tão fantástico que é. Bem apurado, cozido al dente  com travo a coentros, é uma forma diferente e original de acompanhar o cefalópode. Coube ao tinto da casa, servido em caneca, acompanhar o petisco. Apesar de não ter questionado, os aromas frutados, a simplicidade e facilidade do néctar levou-se a crer que se seria da região, ou seja um terras do Sado. Esteve à altura.
Para sobremesa, a aposta foi para o doce da casa, que apesar de ser o "clássico" doce de leite condensado com bolacha e natas, fez jus à minha interpretação desta casa em que "tudo é bom". 
Finalizado o fight e pedida a conta, calhou algo a rondar os 22€/pax, um valor mais do que justo para a qualidade do repasto.
Repeteco? Já "repetiquei", e "repeticarei" sempre que surgir a oportunidade. A Casa das Enguias é um ponto de referência imperdível do Montijo.


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Sunday, 17 April 2016

De regresso à Serra da Estrela

A Serra da Estrela, entrou diretamente para o meu top dos locais mais carismáticos deste nosso rectângulo à beira-mar plantado. Já aqui e ali falamos do tema, das paisagens, da gastronomia e das suas gentes. De regresso a um dos pontos mais elevados de Portugal Continental, vamos de novo falar de cozinha beirã.



Vista da sala


Vista do hotel
Nome: Hotel da Serra da Estrela
Data da visita: Janeiro de 2016
Localização: Penhas da Sáude, Serra da Estrela
Comentário: muitas vezes utilizado como imagem postal da serra, o Hotel da Serra da Estrela é das mais antigas e conhecidas unidades hoteleiras da região. Engane-se o leitor/comensal se pensa que este vosso narrador se virou para a critica hoteleira ... hoje vamos falar de fight ocorrido no restaurante do estabelecimento, que se encontra aberto ao público geral. Pasme-se o leitor, pois o tema do spot é medieval. Sim, o restaurante do Hotel Serra da Estrela é temático cujo o dito é a época medieval ... mas desengane-se se pensa que aqui comerá as sandes de porco no espeto ou bebericar cerveja em canecas metálicas. A cozinha é tipicamente beirã. De medieval só mesmo o ambiente rústico da sala com mesas corridas, onde o risco de necessidade de partilha com outros comensais é real. Honestamente, não é algo que esteja no topo das minhas preferências ... chamem-me eremita/anti-social, mas prefiro não partilhar a minha mesa com estranhos, mais ainda porque acabaria por colocar alguns constrangimentos à atividade fotográfica tão necessária ao porn food. Porém, e apesar de ser época de bastante movimento na região, não foi preciso recorrer ao table sharing. O spot funciona numa lógica de buffet all-you-can-eat com preço fixo por pessoa, algo que agradará com certeza aos comensais com maiores necessidades nutricionais. A oferta é vasta e variada que onde os obrigatórios enchidos regionais possuem merecido destaque. Chourico, farinheira e murcela são apenas alguns exemplos. Feijoca com carnes, favas com chouriço e outros estufados a borbulhar em potes de ferro são um festim também para os olhos. A oferta é mesmo muita, ao ponto de não ser de todo possível provar todos os pratos. Há um prato principal quente, para aconchego, que desta coube a um estufado de javali com batatas cozidas e grelhos. Muito bom mesmo, como aliás tudo de uma forma geral.
Coube a uma 0.37cl de Piornos tinto, elaborado com trincadeira e jaen, da adega da Covilhã, a dificil tarefa de casar com tão complexo misto de sabores. E cumpriu, sem nunca vacilar. Nota positiva à casa por disponibilizar e propor vinhos da região, mais ainda não pertencendo ás grandes e mais conhecidas regiões vinícolas. 
O buffet avança para as sobremesas, que ao contrário dos pratos iniciais, não são propriamente variadas. Há oferta de 2 ou 3 variedades de queijos da região, marmelada e um doce, que no dia era arroz doce. 
No que a valores diz respeito, o preço do buffet de cerca de 19€/pax, fora as bebidas, que já se sabe, neste modelo são bastante inflacionados. Conte portanto com algo a rondar os 25€/pax. O valor para crianças é cerca de metade.
Repeteco? Sim poderei voltar, principalmente se ficar hospedado no hotel. Porém há a 2 minutos de carro uma alternativa muito válida, para onde recai a minha preferência.


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Sunday, 10 April 2016

Old school @Porto

Num momento em que vivemos uma revolução da nossa oferta gastronómica, nem sempre é fácil encontrar um spot para usufruir de uma comida simples, tradicional e honesta. Mais ainda quando o queremos fazer com a maxima qualidade. Mas é possível! Há casas que já cá estavam antes do boom e irão continuar se um dia a movida arrefecer.






Nome: Cozinha do Manel
Data da visita: Março de 2016
Localização: Porto, em frente à estação do Metro do Heroismo
Comentário: aberto desde 1989, longe ainda de se imaginar que o Porto se tornaria num vibrante e cosmopolita destino turístico, a Cozinha do Manel especializou-se na arte da confecção de comida tradicional portuguesa. Dois fornos a lenha são a principal ferramenta de trabalho, que juntos a muito talento e devoção, permitem aos comensais usufruir dos aromas e sabores da nossa riquíssima cozinha. Aliás, "fusão", "autor" e "internacional" são palavras que não entram no léxico desta casa ... aqui é como no antigamente! A experiência começa na entrada em que o comensal, para chegar à sala, passa pelo mural dos famosos que foram visitando a casa nas ultimas décadas. Portugueses, estrangeiros e como seria de esperar os melhores da naçon azul e branca. Do lado oposto, uma imponente garrafeira repleta das melhores referências do norte a sul, onde até o mítico Barca Velha marca presença.
É de chamar a atenção, que a Cozinha do Manel funciona numa lógica de pratos em dias marcados. As tripas à quartas, o cozido às quintas e à sexta o afamado cabrito assado. Porém são residentes da lista, os filetes de polvo e a vitela assada. Isto faz com que a lista não seja imensa. Tenha isto em mente numa visita à casa, e planeie o dia, se pretender um prato especialidade.
Sentados e instalados, foi dado inicio ao fight com uma murcela polvilhada com cominhos, pimentos padrão de pequeno porte bem fritos em azeite e bolinhos de bacalhau. Nada a apontar, a não ser a excelência e a frescura de tudo ... os bolinhos acabados de fritar e a murcela cheia de sabor com o perfume dos cominhos. Mesmo os outsiders pimentinhos padrão estavam cozinhados no ponto e salgados com muito equilíbrio,
Para prato principal do fight a escolha caiu sobre os filetes de polvo com arroz do mesmo e a vitela assada com batata assada e arroz de forno. O polvo tenro estava muito saboroso e o arroz do mesmo servido sequinho, estiveram à altura das expectativas. A vitela, tenra ao ponto de desfazer com o garfo, estava muito saborosa. Menção honrosa, para o arroz de forno em púcara de barro, servido ao longo da refeição e que acabou por ser companhia a ambos os pratos. Sequinho e cozido no ponto.
Já anteriormente mencionado e como seria de esperar, a carta de vinhos é extensa, cuidada e variada tanto na geografia, nos estilos e nos preços. Os valores rondam os típicos 2x do valor do retalho. Previamente acordado entre os confrades, que caberia em exclusivo ao Douro a maridagem ao repasto, ficou ao cargo de uma 0.75cl de Evel tinto e uma 0.75cl Cistus tinto a tarefa. Como seria de esperar cumpriram na perfeição, com ambas as garrafas a rondar os 10€ cada, tendo a Evel arrecadado o ouro e a Cistus a prata.
A finalização foi com uma rabanada, bem regada em calda de açucar. Foi um Natal em pleno Março.
Os valores ficaram a rondar os 23€/pax, um valor que não sendo baixo é justo para a qualidade oferecida.
Repeteco? Recomendo para quem não conhece ou para quem visita o Porto, uma ida à Cozinha do Manel. Voltarei com certeza, a uma quarta-feira para comer as tripas à moda do Porto.


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Sunday, 3 April 2016

Há peixe bom e fresco na margem sul

"Escondidinho" podia muito bem ser a palavra que melhor descreve este spot. Com poucas ou nenhumas referências na Grande Rede e definitivamente longe dos olhares dos que passam por mero acaso, proponho com este post dar a conhecer um sítio, simples e honesto para comer peixe fresco ... ah, e barato. Vamos aos Sarilhos Grandes. 




Nome: Tasca da Lota
Data da visita: Março de 2016
Localização: Lançada, Sarilhos Grandes, Montijo
Comentário: de vez em vez a Tasca da Lota é o eleito para receber este vosso contador ao almoço.  Bem escondido nas ruelas dos Sarilhos Grandes, dificilmente será uma visita de ocasião. É preciso conhecer. Numa pequena casa branca em zona de descampado, a cidade capital no horizonte, lembra-nos que estamos na margem sul e não numa recôndita vila alentejana.Discreto e muito simples, nesta tasca a grelha é o principal ativo. Há carnes mas é o peixe que nos faz cá vir e voltar. Dito com orgulho pelo proprietário, é fresco e resultado de visitas diárias à lota. À vista dos comensais e prontos a serem escolhidos para repasto, dourada, robalo e salmão são presenças assiduas na carta, que não é bem uma carta ... escolhe-se o peixe que se pretende e avisa-se quem está a servir. O staff esse, à imagem do spot em si é do mais honesto, simples e despretensioso que poderemos encontrar. Aqui a simplicidade é a imagem dominante e o "tasca" no nome começa a fazer sentido, porém as mesas sempre compostas com comensais locais conseguem transmitir alguma segurança, mesmo aos menos adeptos das tasquinhas.
Desta, a escolha foi para uma dourada escalada grelhada na brasa, acompanhada com batata cozida e salada bem temperada. Mão um pouco pesada para o sal, mas o peixe confirmadamente fesco, estava bem grelhado e saboroso. Coube ao branco, com marca da casa, acompanhar o petisco. De origem desconhecida, mas com evidentes aromas a moscatel, servido fresco soube casar muito bem com a dourada. A carta das sobremesas, não é imensa, mas conta com alguma doçaria caseira ... apesar de não ser propriamente algo no topo das minhas escolhas usuais, senti um impulso de avançar sobre o arroz doce. Estava bom, e conseguiu terminar em beleza o fight.
Com café incluido, tudo isto por 7.50€, preço de diária. Um valor muito, muito justo que faz desta tasca um spot a revisitar.
Repeteco? Sim. Voltarei, seja para a dourada ou robalo quando andar por aquelas bandas.

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Saturday, 26 March 2016

Samouco com sabor a mar

O Samouco consegue proporcionar momentos de calma e tranquilidade, algo que poderá surpreender alguns, especialmente quando nos apercebemos que estamos às portas da cidade capital. Aqui o peixe o marisco estão em destaque, pela ligação destas gentes ao Tejo e frutos que ele dá.





Nome: Marisqueira do Samouco
Data da visita: Março de 2016
Localização: Samouco, no centro da vila
Comentário: a vista à Marisqueira do Samouco, reconheço foi uma segunda escolha. Era um jantar de amigos e o objetivo estava já bem definido: massada de sapateira. Sim, o desejo era experimentar a massada de sapateita num spot de Setúbal, cujo nome não irei para já revelar, mas que por ser segunda-feira se encontrava fechado. Não querendo desviar do objetivo, até porque a imagem da massada estava enraizada no pensamento de todos e só a mera hipótese de repensar a estratégia era motivo de angustia, há que encontrar novo spot com capacidade técnica e logística para saciar o desejo de massada de sapateira. Quis o destino que os nossos desejos fossem satisfeitos e rumamos ao Samouco em busca da Marisqueira do Samouco. Chegados ao centro da vila, e depois de um dificil estacionamento, entramos na Marisqueira, uma casa ampla, limpa e com uma decoração despretenciosa que era um convite a tirar a gravata e usufruir das coisas simples da vida. A carta como seria de esperar é rica em marisco e peixe, em que há alguma oferta de carnes, mas que por motivos obvios deixamos de parte. O fight iniciou com uma entrada de amêijoa à bulhão pato e pão torrado com manteiga.O sabor do bivalve aromatizado com os coentros, intervalado com o pão, mantiveram em alta a expectativa do que aí viria. Finda a entrada, avançamos para a estrela da companhia, a tão aguardada massada de sapateita. Servida em tacho de ferro, uma generosa porção de cotovelos de massa com lascas de sapateira, coentros e gambas rijinhas q.b, foram uma montra do melhor do que se pode fazer com imaginação, talento e ingredientes de qualidade: divinal, soberbo ao ponto de não ficar um unico cotovelo no prato e no tacho, e repito a dose era bem generosa. Servida em pratos de sopa, à moda da nossa casa e comida à colher declaro aqui, que a massada de sapateira da Marisqueira do Samouco é um dos melhores pitéus que retenho memória, dos ultimos tempos. Mais ainda, pela diferenciação do prato em si... massada de peixes e mariscos não é propriamente algo consensual e se no sul facilmente se encontra quem o providencie no norte a conversa é ligeiramente diferente.
Já com o fundo do tacho à vista e estômagos devidamente saciados, decidimos que por uma questão de ética e coerência deveriamos avançar para a sobremesa. Sem grande surpesa, a carta não impressionou. Além de gelados e fruta havia o típico doce da casa, adivinhe-se ... de nata, bolacha e leite condensado. Após um breve, mas determinado, momento de reflexão foi decidico por unaminidade que a sobremesa passaria por uma travessa de camarão, perceves e burriés, aka, buzios ou caracol do mar. Feliz a hora em que se tomou tal decisão: foi uma explosão de sabores do mar. A frescura era evidente e estava tudo cozinhado na perfeição. Estranho nome o de burrié ... sim é verdade, há uma semelhança visual entre ambos os elementos organicos mas definitivamente não queremos pensar num quando estamos a comer o outro.
Escusado será dizer que as várias fases deste fight foram acompanhadas por um branco, servido em jarro, que nos foi informado ser da região de Pegões ... um filho da terra, portanto. Por isso, parabéns à casa pela escolha. O branco era simples, fresco e aromático ... mais não se poderia pedir.
Um café e uma conta de 25€/pax, fecharam as festas. Um valor muito em conta, para tal festim de frutos do mar. Ah, é verdade, o staff eficiente, simpático faz-nos mesmo sentir em casa.
Repeteco? Tão seguro como o sol nascer amanhã. A Marisqueira do Samouco, passou a figurar nos pontos de passagem obrigatório para quem anda por aquelas bandas. Adorei ... muito!

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Marisqueira do Samouco Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Friday, 25 March 2016

Agora pode pesquisar os restaurantes visitados diretamente no mapa!

A ideia já era antiga: organizar os fights no Google Maps de modo a facilitar a vida aos comensais na sua busca do próximo spot a ser visitado. Em viagem ou na sua cidade natal, basta apontar para zona geográfica e pesquisar os fights travados na área.


Depois é só clicar no sítio escolhido, saltar diretamente para o post e decidir se esse vai ser o próximo sítio a conhecer.

"Never have a bad meal again"



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